My life without me, Isabel Coixet, 2003
sexta-feira, agosto 29, 2008

E TUDO ERA POSSÍVEL
Na minha juventude antes de ter saído
da casa de meus pais disposto a viajar
eu conhecia já o rebentar do mar
das páginas dos livros que já tinha lido
Chegava o mês de maio era tudo florido
o rolo das manhãs punha-se a circular
e era só ouvir o sonhador falar
da vida como se ela houvesse acontecido
E tudo se passava numa outra vida
e havia para as coisas sempre uma saída
Quando foi isso? Eu próprio não o sei dizer
Só sei que tinha o poder duma criança
entre as coisas e mim havia vizinhança
e tudo era possível era só querer
Ruy Belo, Homem de Palavra[s]
Lisboa, Editorial Presença, 1999 (5ª ed.)
do tempo ido fica a memória ...



Breeze (brrreeding grrround), Francisco Queirós, 2002

The dilemma, Francisco Queirós, 2002
quinta-feira, julho 31, 2008
quarta-feira, julho 30, 2008
*

este blog mudou de vida. mudou de cidade e de rotinas. anda num corropio mental e procura uma casa para voltar a si. funciona a meio gás pelo facto de os dias não terem 29 horas. descobriu que sofre de stress pós traumático e do sídrome de Peter Pan. descobriu que gosta ora de silêncio ora de burburinho. procura um ponto de equilíbrio para não entrar em ponto de ruptura. descobriu que a vida nem sempre é aquilo que parece ... mas cumpre a promessa de não desistir.
terça-feira, julho 08, 2008
quinta-feira, junho 26, 2008
terça-feira, junho 24, 2008
Mãe, eu quero ir-me embora – a vida não é nada
daquilo que disseste quando os meus seios começaram
a crescer. O amor foi tão parco, a solidão tão grande,
murcharam tão depressa as rosas que me deram
– se é que me deram flores, já não tenho a certeza, mas tu
deves lembrar-te porque disseste que isso ia acontecer.
Mãe, eu quero ir-me embora – os meus sonhos estão
cheios de pedras e de terra; e, quando fecho os olhos,
só vejo uns olhos parados no meu rosto e nada mais
que a escuridão por cima. Ainda por cima, matei todos
os sonhos que tiveste para mim – tenho a casa vazia,
deitei-me com mais homens do que aqueles que amei
e o que amei de verdade nunca acordou comigo.
Mãe, eu quero ir-me embora – nenhum sorriso abre
caminho no meu rosto e os beijos azedam na minha boca.
Tu sabes que não gosto de deixar-te sozinha, mas desta vez
não chames pelo meu nome, não me peças que fique
–as lágrimas impedem-me de caminhar e eu tenho de ir-me
embora, tu sabes, a tinta com que escrevo é o sangue
de uma ferida que se foi encostando ao meu peito como
uma cama se afeiçoa a um corpo que vai vendo crescer.
Mãe, eu vou-me embora – esperei a vida inteira por quem
nunca me amou e perdi tudo, até o medo de morrer.
A esta hora as ruas estão desertas e as janelas convidam à viagem.
Para ficar, bastava-me uma voz que me chamasse, mas
essa voz, tu sabes, não é a tua – a última canção sobreo meu corpo
já foi há muito tempo e desde então os dias foram sempre tão compridos,
e o amor tão parco, e a solidãotão grande, e as rosas que disseste
um dia que chegariam virão já amanhã, mas desta vez,
tu sabes, não as verei murchar.
Maria do Rosário Pedreira
sexta-feira, junho 20, 2008
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