sábado, setembro 30, 2006

Naquela noite concluiram que boçal era o adjectivo que vestia como se fosse a sua própria pele.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Eu vou!

26/10...

Shawn, volta que estás perdoado.



Corria, se não me falha a memória, o ano de 1999, aka o ano em que vi o pior concerto da minha vida.

Quem conseguiu tal proeza? Não, não foram os Happy Mondays. Mas, se bem me lembro, o único concerto que vi dos irmãos Ryder (suponho que em 1999, na Zambujeira do Mar) foi, de facto, como que uma faca a espetar de fininho no meu coraçãozito teenager.
Mau, muito mau é verdade. Nada que no fundo eu já não esperásse tendo em conta o avançado estado de decomposição da banda e dos respectivos membros. Apesar de tudo foi o culminar de uns anos de espera para poder ver uma das minhas bandas preferidas. Logo, o momento conseguiu ter a sua grandeza.
Mas, voltando ao assunto primordial deste flashback sonoro e visual que me abalrroou o pensamento esta manhã, tenho a dizer que os Arab Strap foram, para mim a pior banda alguma vez vista ao vivo. No mesmo malfadado ano de 1999 vi-os 2 vezes, e cada uma pior que a outra: uma na dita Zambujeira e, em Novembro desse ano, no Coliseu do Porto a abrir os Tindersticks que lançavam o Simple Pleasures.
Não há palavras. No primeiro concerto, a piela do Sr. Moffat era tal que mal se lhe entendia aquilo que lhe saía pela boca, supostamente frases compostas com palavras concretas.
Na segunda vez, ouvi alguém dizer nos corredores do Coliseu - " Fogo, eu nem entro. Esse gajo é uma seca!".
Tive pena dos artistas, solidarizei-me com a causa e entrei para lhes dar uma segunda oportunidade, nem que fosse porque tinha mesmo que esperar pelos Tindersticks. Erro.
O tédio comia os corpinhos daqueles meninos que tentavam manter-se de pé no concerto, quase fazendo um favor à assistência.
Eu até lhes achava graça, aos discos e às musiquinhas "ai-triste-sina-a-minha". Mas, ao vivo... não recomendo de todo.
Antes Manchester a Glasgow (com excepção para o b&Ss e para os Camera Osbcura).
E volta Shawn* que estás perdoado!
*S.Ryder- vocalista dos Happy Mondays

quarta-feira, setembro 27, 2006

"e lembro-me muito bem do teu riso. há coisas que nunca se apagam da memoria, e se há coisa que me lembro mais vezes quando me sinto só é dos vossos risos."
O tempo, apenas uma unidade de medida. Insisto na ideia desde há muito. Assim desvio a hipótese de funestos efeitos desse mesmo tempo sobre a linha que é a minha vida.

Mas o tempo mata[.me.nos]- o Tempo é a ruína da Humanidade. Anestesia os sentidos e inibe o sangue de pulsar. Bloqueia o sentir e, devagarinho, roe-nos as entranhas.
O tempo passa e queima-nos as extremidades que nos fazem sentir. Com o tempo a pele fica amarelada como a alma que nos habita o ser. Ficamos bafientos, a humidade entranha-se em nós... e, num dia- igual a qualquer outro - o sangue deixou de nos correr pelas veias.E com o amarelo da alma vem a incapacidade do sonho, que também chega com o tempo.
O tempo oferece-nos a evidência da solidão e da unidade. A evidência do eu livre, mas agrilhoado ao tempo.

O tempo é a água a correr, é a erosão nas rochas, é a decomposição dos corpos, da matéria. É a morte (e vida) em cada segundo.
É o saber me aqui. É a indefinição do caminho. São os meus olhos vazios. É o não haver luz. É o vazio da indefinição. É a ânsia da âncora. É a espera pelas vagas, que empurrem o corpo na costa.

Um dia acordamos e o tempo passou. À nossa volta fica o nada que fizémos com ele.

quarta-feira, setembro 20, 2006

sábado, setembro 16, 2006

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.

E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.

sophia de mello breyner

sexta-feira, setembro 15, 2006

júlio pomar
Sinto o terror
de um agora perpétuo na decomposição da matéria.
Asfixia-me o ar
e é plúmblea a certeza de me saber assim.
Estéreis,
os gritos ecoam no vazio.
Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo - o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência.
Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo...!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo.

Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Tempo'
Estes estão gravados em VHS e lembram-me as tardes de secundário pregada à Mtv.
The Stone Roses - Ten Storey Love Song
Weezer - Buddy Holly
Throwing Muses - Bright Yellow Gun
Stone Temple Pilots - Plush
Tom Tom Club - Genius Of Love
blind melon-no rain

13 anos atrás...
E ainda gosto muito desta música.

quinta-feira, setembro 14, 2006

À la folie... pas du tout - Have you Forgotten

Inconfundível, a voz do Sr. Kozelek.

segunda-feira, setembro 11, 2006

Camera Obscura - Lloyd I'm Ready To Be Heartbroken
The music of Karlheinz Stockhausen, 73 year old experimental composer, has long incorporated elements of theater and spectacle. He has followed Duchampian aesthetics, searching for metaphorically violent ways of thrusting image and sound together.
His 1994 "Helicopter Quartet" (based on a dream he had of "towers of television screens", thousands of outdoor spectators, musicians in flying helicopters), was creepily prescient of September 11th as live spectacle.
Inevitably, he responded to the attack in those terms, as "The greatest work of art there's ever been. That people rehearse like crazy for ten years, totally fanatically for one concert, and then die! Compared to this, we are nothing as composers."

ora então:

6 coisas sobre mim:

-O meu provérbio preferido - "Nem o pai morre nem a gente almoça";
-Adoro torradas e Sumol de Ananás;
-Tenho ataques de riso com coisas que só se passam na minha cabeça;
-Detesto migalhas e portas a bater;
-Tenho celulite;
-As manhãs solarengas fazem-me feliz;
(e já agora... quero muito ir à Islândia)


Passo ao Miguel, ao Francisco, ao Miguel Barreto e à Rita.

sexta-feira, setembro 08, 2006

I'm standing here waiting for you to come
In the sky some kind of strange sky phenomenon
Feel strange to have you as a friend
But I'd rather be your friend then to never see you again
I'd rather be your friend
You stare at the sky, colours reflecting in your eye
Could it be what they call the northern light?
But here and at this time of year it's like someone spilled a beerall over the atmosphere, it's like someone spilled a beer
And I called out your name like the name of a coming hurricane
I called out your name like you call out when you're in hurt and pain
I called out your name but you were caught in a heavenly silver rain
You and I are not the same, we're divided by the smoke of an aeroplane
Of an aeroplane
Flock of birds in the sky flying south, they know this place will die
And I wish they could take me with them but I would not be accepted 'cause I can't dance the funky chicken
I can't dance the funky chicken
I'm standing here waiting for you to come. In the sky some kind of
strange sky phenomenon.



jens lekman_sky phenomenon_maple leaves_service records_2003

sim sim


@#o-te
ou
Como sobreviver às próximas horas

quarta-feira, setembro 06, 2006

and the wind whispers mary....




"John and Mary", numa feliz coincidência zappistica, entrou esta noite directamente para o meu top 5 de filmes predilectos.
Quem conseguir, que o veja. Mais não sei dizer.

terça-feira, setembro 05, 2006

[she leads him out onto the frozen Charles River]

- I don't know. What if it breaks?
- What if? Do you really care right now?





- Joely?
- Yeah Tangerine?
- Am I ugly?
- Uh-uh.
- When I was a kid, I thought I was. I can't believe I'm crying already. Sometimes I think people don't understand how lonely it is to be a kid, like you don't matter. So, I'm eight, and I have these toys, these dolls. My favorite is this ugly girl doll who I call Clementine, and I keep yelling at her, "You can't be ugly! Be pretty!" It's weird, like if I can transform her, I would magically change, too.
- [he kisses her] You're pretty.
- Joely, don't ever leave me.
- You're pretty... you're pretty... pretty...

segunda-feira, setembro 04, 2006

O Milagre Segundo O Corrector de Olheiras



Obrigada Senhor por teres posto no Mundo estes unguentos que nos fazem esconder as mazelas de noites em claro, e que nos põe lindas e maravilhosas com o raiar do dia. Mesmo que o cérebro denuncie a dívida de horas de sono para com a cama.
Aproveito para agradecer ao povo português por ter conseguido fazer uma coisinha de jeito durante a colonização do Brasil (a única): ter trazido o café para este jardim à beira mar plantado... Em dias destes ajuda, e muito.

Obrigada à
Escola da Noite pela recepção !

ao sinal horário serão 4 horas

Quatro da manhã. Trabalho atrasado para me fazer lembrar outros tempos. Das vésparas de exame, de ansiedade adiada para amanhã que, chega num hoje qualquer. Hoje chegou em força, cedo pela madrugada. As inseguranças, o achar que não se é capaz. Já não me lembrava do medo de falhar, que aperta o coração e trás angústia. E lembro outro tempo em que as vozes acalmavam e davam a mão. Ao longo da vida perdemos no espaço os que nos conhecem bem, que nos confortam e que nos lêem sem ser preciso balbuciar qualquer palavra... os abraços, as visitas nocturnas, os telefonemas que acalmavam, os ombros onde suportei a cabeça durante tanto tempo. Os rumos que a vida traça. Tudo para nos sabermos irremediavelmente sós. E hoje sinto falta dessa leitura de mim, feita sem palavras...