quinta-feira, outubro 26, 2006

quarta-feira, outubro 25, 2006

Nan Goldin
Simon and Jessica in the shower, 2001
(CAV. Coimbra)

O verbo no infinito

Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor

E viver esse amor até morrer

E ir conjugar o verbo no infinito. . .

Vinicios de Morais
in Livro de Sonetos

terça-feira, outubro 24, 2006

(uma louvável iniciativa Eixo do Mal / Inimigo Público)

Decida Você mesmo quem fez disto uma choldra

Tais toi!

In the mood for love

Fa yeung nin wa, Wong Kar Way (2000)

My biggest fear is if I let you go
You'll come and get me in my sleep...

Mark Sandman,The Saddest Song, Good-1991

segunda-feira, outubro 23, 2006

Agustina ao Sol

«...falar de casamento entre pessoas do mesmo sexo é distorcer o seu sentido (...) Ao longo da vida conheci homossexuais brilhantes a nível intelectual que não eram capazes de encarar o casamento. Uma coisa são os homossexuais, outra são os maricas (...) Os maricas querem todas essas prerrogativas, como o casamento. Os homossexuais não... Todos devem ter os mesmos direitos, mas para isso não é preciso falar de casamento»... em Os tempos que correm.
A Agustina veio à cidade e trouxe com ela os "sábios" ensinamentos da província. E o pior de tudo é o facto de ter insistido em partilhá-los com o mundo...
Pouco me surpreende de uma mulher que sempre julguei politicamente conservadora.
Pena é que um nome grande da nossa literatura mostre ao público a pequenez do seu pensar... a democracia tem destas coisas, ouve-se o que se quer e o que não.
(A jeito de desabafo: quer-me parecer que o grande problema desta Oriental Praia Lusitana são as "províncias" que existem nas cabeças de cada um de nós. O conservadorismo e o provincianismo bacoco tão típico do nosso país não tem origem em Trás-os-Montes nem na Beira Interior, nem no meio do Alentejo ou da Serra Algarvia. Nasce nas cabeças daqueles que não querem mudar nem aceitam a diferença como qualquer coisa de natural. As maiores "províncias" existem no meio Lisboa, no meio do Porto ou de qualquer outra ciadade média deste país. Vivem camufladas no meio de pretenciosismos cosmopolitas a cheirar a teorias "pantufeiras" pós-modernas de levar por casa, e muitas vezes ganham raízes no meio daqueles que estão na posse dos meios para empurrar para a frente este barco encalhado que é o nosso país. Enfim, é o país que temos...)

Obrigada

To Ramona, Bob Dylan



Ramona, come closer,
Shut softly your watery eyes.
The pangs of your sadness
Shall pass as your senses will rise...


The flowers of the city
Though breathlike, get deathlike at times.

And there's no use in tryin'
T' deal with the dyin',
Though I cannot explain that in lines.

Your cracked country lips,
I still wish to kiss,
As to be under the touch of your skin.
Your magnetic movements
Still capture the minutes I'm in.
But it grieves my heart, love,
To see you tryin' to be a part of
A world that just don't exist.

It's all just a dream, babe,
A vacuum, a scheme, babe,
That sucks you into feelin' like this.


I can see that your head
Has been twisted and fed
By worthless foam from the mouth.
I can tell you are torn
Between stayin' and returnin'
On back to the South.
You've been fooled into thinking
That the finishin' end is at hand.

Yet there's no one to beat you,
No one t' defeat you,
'Cept the thoughts of yourself feeling bad.

I've heard you say many times
That you're better 'n no one
And no one is better 'n you.
If you really believe that,
You know you got
Nothing to win and nothing to lose.
From fixtures and forces and friends,
Your sorrow does stem,
That hype you and type you,
Making you feel
That you must be exactly like them.


I'd forever talk to you,
But soon my words,
They would turn into a meaningless ring.
For deep in my heart
I know there is no help I can bring.
Everything passes,
Everything changes,
Just do what you think you should do.

And someday maybe,
Who knows, baby,
I'll come and be cryin' to you.


...

Ao meu pai. Por sê-lo, obrigada...

sábado, outubro 21, 2006

esta noite...






stay together...







... a recordar o que o ouvido pedia noutros tempos.

# da música

John Wayne Gacy, Jr diz:

os gajos da pop vão sempre bem com as meninas mellow

John Wayne Gacy, Jr diz:

é como que um mecanismo de compensação

Strangeways here we come! diz:

interessante teoria...


quinta-feira, outubro 19, 2006




A ouvir a transmissão que assinala os quatro anos de Vidro Azul, aqui, em podcast.
Etérea... sem palavras, como sempre.
Parabéns Ri.Ma.

do empréstimo

-Já agora, como é que acabaram essas duas "pessoas" que se entendiam tão bem?
- Como acabam todas as grandes paixões, por um mal entendido. Todos os amantes receiam uma traição, não se explicam por orgulho e zangam-se por teimosia.
- E, muitas vezes, nos melhores momentos, quanto teria bastado um simples olhar, uma exclamação!...

Balzac in Uma Paixão no Deserto
Há tempos passados que me visitam. E nunca os vi nem sequer são meus.
Desses tempos nasceram fantasmas. Agora vivem em minha casa, comigo.
E se me acompanham é porque não é certo o presente nem eu sei dizer-lhes que vão.
As minhas armas não sabem fazê-los partir nem me foi dado o antídoto para este mal de sombras.
Sobra-me a espera.

Hoje

Hoje vai a votos na Assembleia da República a proposta socialista de convocação de novo referendo sobre a despenalização do aborto (até às dez semanas) em Portugal.
Com os votos a favor do PS, PSD e BE, a abstenção do CDS-PP e os votos contra do PCP e do partido Os Verdes, parece que é desta que o país será novamente consultado sobre este assunto, que há já muito devia estar resolvido.
Acho contudo que a alteração à lei do aborto não deve ser feita através de referendo. E é aí que me ponho ao lado do PCP.
Parece-me que a lei deve ser introduzida por via parlamentar e não por via referendária, adiando por mais uns meses um problema da saúde pública que o Eng.º Sócrates utilizou como bandeira para a campanha Socialista nas últimas legislativas e que só agora parece andar para a frente.
Sabem, aqueles que lutam pelo fim da criminalização do aborto, que do último referendo sobre a Interrupção Voluntária de Gravidez (IVG) não são boas as memórias. Nem dos feitos nem da campanha do PS que, na altura comandado pelo Dr. Guterres - bom católico, que fez campanha pela não despenalização- em muito ajudou à vitória do não. Ou melhor, à derrota do Sim.
Este é um problema que não deve ir a votos nem ser alvo de campanhas pró ou contra.
É de um atraso atroz que assim seja e revela a pequenez do nosso povo.
Num país em que pouco se investe em Educação Sexual, onde a Igreja ainda manda muito e onde milhares de cabeças ainda são infectadas pela doutrina arcaica da Santa Sé, as mulheres não têm liberdade para "dirigir" o seu próprio corpo. São vistas como criminosas, têm que carregar com o peso da ilegalidade e da clandestinidade do acto quando são expostas a um acto que já por si as violenta.
A mulher não deve ser julgada por ninguém e muito menos por qualquer instituição do Estado pelo simples facto de ter tomado uma opção que só a ela diz respeito.
Ninguém aborta por prazer (nem como a Dr. Zita Seabra escreve hoje no público-num artigo ridículo, mais ainda quando sabemos qual a postura da mesma face ao aborto aquando dos anos em que pertencia ao Comité Central do PCP- por não lhe agradar o sexo do nascituro).
Aquilo que o Estado deve então providenciar é uma lei inclusiva. Isto é, quem é contra a IVG continuará a sê-lo (como lei ou sem lei) e nunca optará pelo aborto. Quem é a favor e precisar de recorrer a este meio deverá ter do Estado as condições necessárias para garantir que o processo não causa mutilações ou danos físicos à mulher que praticou o aborto, além de que passará a ser acessível a todas as mulheres.
A lei vigente é hipócrita e classista, fazendo com que as mulheres com menos recursos económicos tenham que recorrer aos processos mais penosos (e que deixam mazelas psicológicas) para abortar, enquanto que aquelas com mais recursos podem sempre ir a Espanha ou a Inglaterra para resolver o problema sem pôr em risco a sua integridade física.
O recurso ao aborto é uma prática constante e real, tanto no nosso país como no resto do mundo. Resta-nos tentar minimizar as mazelas de quem a ele recorre, sem julgar, sem moralismos, com condições e respeito pela liberdade da escolha.
Uma vez ouvi dizer que se os homens abortassem o aborto nunca teria sido ilegal.
Vejamos se é desta.
A ler mais aqui, aqui, aqui e aqui: www.womenonwaves.org
The Bridal Ballad

The ring is on my hand,
And the wreath is on my brow;
Satin and jewels grand
Are all at my command,
And I am happy now.

And my lord he loves me well;
But, when first he breathed his vow,
I felt my bosom swell
-For the words rang as a knell,
And the voice seemed his who fell
In the battle down the dell,
And who is happy now.

But he spoke to re-assure me,
And he kissed my pallid brow,
While a reverie came o'er me,
And to the church-yard bore me,
And I sighed to him before me,
Thinking him dead D'Elormie,
"Oh, I am happy now!"

And thus the words were spoken,
And this the plighted vow,
And, though my faith be broken,
And, though my heart be broken,
Here is a ring, as token
That I am happy now!

Would God I could awaken!
For I dream I know not how!
And my soul is sorely shaken
Lest an evil step be taken,
-Lest the dead who is forsaken
May not be happy now.
E.A.Poe. The Raven and Other Poems

terça-feira, outubro 17, 2006

quinta-feira, outubro 12, 2006

quarta-feira, outubro 11, 2006

Do Juramento para aqui, a ver- ISTO ...
e, pelos vistos há Festival para Gente Sentada ... que chegue Novembro!
A Esquire nomeou-a como The Sexiest woman alive .




Mesmo assim acho díficil alguém superar a Lauren Bacall.



terça-feira, outubro 10, 2006

Nick Cave - The Ship Song

time went by, but new good things happened.

num dos passeios habituais para a escuta
semanal do vidro azul...
















segunda-feira, outubro 09, 2006

Constatação

De facto quer-me parecer que a blogosfera tende a assemelhar-se a uma discoteca de engate... com direito a bate couro mas tudo mais sofisticado.
De repente todos somos sensíveis e gostamos dos clichêts todos da literatura, da música, do mundo...

De repente acordei e a Humanidade está cheia de seguidores da teoria schopenhaueriana, somos todos neoplatónicos sem nunca termos lido Poe.

Simplicidade, como a que Goethe "apregoava"... como a das flores do campo. Isso nada.

Ou é que já ninguém se lembra que o silêncio, as flores, as formigas e o ar a trespassar os cabelos têm muito mais magia do que falar sobre resumos de livros que um dia, por sugestão de alguém, fizemos ao ler a contracapa do mesmo, na esperança de ter assunto para impressionar parvos e pobres de espírito...

bem, adiante... ele há dias assim.

O número 3.

Menos cabalístico que o número sete, o número três transmite-me a sensação de instabilidade, como uma mesa com uma perna partida (quais três isótopos do urânio).

...

Estou farta dos outros que insistem em pôr-me a par das suas vidas desinteressantes; estou farta das galinhas e do galinheiro, de pessoas "pequeninas", das fulaninhas e fulaninhos que respiram ... de gente que pouco mais tenta aportar a este mundo do que a sua pobre existência física.



Poema em linha reta


Nunca conheci quem tivesse levado porrada.Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo.

[...]

Arre, estou farto de semideuses! Onde é que há gente no mundo?

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra?

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que venho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

(Álvaro de Campos)
De volta, de novo...

quinta-feira, outubro 05, 2006

The Jesus and Mary Chain - Sometimes Always 1994

domingo, outubro 01, 2006

A noite abre meus olhos

Caminhei sempre para ti sobre o mar encrespado
na constelação de onde os tremoceiros estendem
rondas de aço e charcos
no seu extremo azulado

Ferrugens cintilam no mundo,
atravessei a corrente
unicamente às escuras
construí minha casa na duração
de obscuras línguas de fogo, de lianas, de líquenes

A aurora para a qual todos se voltam
leva meu barco da porta entreaberta

o amor é uma noite a que se chega só

josé tolentino mendonça














roy liechtenstein_seaescape

In the morning...

Certamente, um dos melhores discos de 2006, o último trabalho dos Yo La Tengo, muito próximo do registo do álbum "And then nothing turn itself upside down" (2000, Matador Records) ...


A ler sobre o álbum: aqui e aqui.



a ouvir em loop...