terça-feira, março 28, 2006



Iremos todos então em excursão à apresentacão!!!

segunda-feira, março 27, 2006

domingo, março 26, 2006

A matéria das palavras



Estamos aqui. Interrogamos símbolos persistentes.
É a hora do infinito desacerto-acerto.

O vulto da nossa singularidade viaja por palavras
matéria insensível de um poder esquivo.

Confissões discordantes pavimentam a nossa hesitação.
Há uma embriaguês de luto em nossos actos-chaves.

Aspiramos à alta liberdade
um bem sempre suspenso que nos crucifica.

Cheios de ávidas esperanças sobrevoamos
e depois mergulhamos nessa outra esfera imaginária.

Com arriscada atenção aspiramos à ditosa notícia de uma
perfeição
especialista em fracassos.
Estrangeiros sempre __ __ __ agudamente colhemos os frutos discordantes.

Ana Hatherly

sábado, março 25, 2006

From : ?. <_._.@hotmail.com>

Sent :
Friday, March 24, 2006 9:20 PM
To :
"ana marta"
Subject :
Envio de um Poema - 24/3/2006

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HÁ PALAVRAS QUE NOS BEIJAM

Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras nuas que beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a morte.

Alexandre O'Neill (1924-1986)Poesias Completa

no meio de tanto desalento, obrigada ... quem quer que sejas!

quinta-feira, março 23, 2006

Os verdadeiros amigos encontram-se nos silêncios.

quarta-feira, março 22, 2006

"I am sad," the woman says, staring impassively into the light. "I feel that the future is hopeless and that things cannot improve." An empty pause gapes. "I am bored and dissatisfied with everything."
sarah kane: 4:48 Psychosis

domingo, março 19, 2006

Carta a meus filhos sobre os fuzilamentos de Goya

Não sei, meus filhos, que mundo será o vosso. É possível, porque tudo é possível, que ele seja aquele que eu desejo para vós.
Um simples mundo, onde tudo tenha apenas a dificuldade que advém de nada haver que não seja simples e natural.
Um mundo em que tudo seja permitido, conforme o vosso gosto, o vosso anseio, o vosso prazer, o vosso respeito pelos outros, o respeito dos outros por vós.
E é possível que não seja isto, nem seja sequer isto o que vos interesse para viver. Tudo é possível, ainda quando lutemos, como devemos lutar, por quanto nos pareça a liberdade e a justiça, ou mais que qualquer delas uma fiel dedicação à honra de estar vivo.
Um dia sabereis que mais que a humanidade não tem conta o número dos que pensaram assim, amaram o seu semelhante no que ele tinha de único, de insólito, de livre, de diferente, e foram sacrificados, torturados, espancados, e entregues hipocritamente â secular justiça, para que os liquidasse «com suma piedade e sem efusão de sangue.»
Por serem fiéis a um deus, a um pensamento, a uma pátria, uma esperança, ou muito apenas à fome irrespondível que lhes roía as entranhas, foram estripados, esfolados, queimados, gaseados, e os seus corpos amontoados tão anonimamente quanto haviam vivido, ou suas cinzas dispersas para que delas não restasse memória.
Às vezes, por serem de uma raça, outras por serem de uma classe, expiaram todos os erros que não tinham cometido ou não tinham consciência de haver cometido. Mas também aconteceu e acontece que não foram mortos.
Houve sempre infinitas maneiras de prevalecer, aniquilando mansamente, delicadamente, por ínvios caminhos quais se diz que são ínvios os de Deus.
Estes fuzilamentos, este heroísmo, este horror, foi uma coisa, entre mil, acontecida em Espanha há mais de um século e que por violenta e injusta ofendeu o coração de um pintor chamado Goya, que tinha um coração muito grande, cheio de fúria e de amor.
Mas isto nada é, meus filhos. Apenas um episódio, um episódio breve, nesta cadela de que sois um elo (ou não sereis) de ferro e de suor e sangue e algum sémen a caminho do mundo que vos sonho.
Acreditai que nenhum mundo, que nada nem ninguém vale mais que uma vida ou a alegria de té-1a. É isto o que mais importa - essa alegria.
Acreditai que a dignidade em que hão-de falar-vos tanto não é senão essa alegria que vem de estar-se vivo e sabendo que nenhuma vez alguém está menos vivo ou sofre ou morre para que um só de vós resista um pouco mais à morte que é de todos e virá.
Que tudo isto sabereis serenamente, sem culpas a ninguém, sem terror, sem ambição, e sobretudo sem desapego ou indiferença, ardentemente espero.
Tanto sangue, tanta dor, tanta angústia, um dia - mesmo que o tédio de um mundo feliz vos persiga - não hão-de ser em vão.
Confesso que multas vezes, pensando no horror de tantos séculos de opressão e crueldade, hesito por momentos e uma amargura me submerge inconsolável.
Serão ou não em vão? Mas, mesmo que o não sejam, quem ressuscita esses milhões, quem restitui não só a vida, mas tudo o que lhes foi tirado?
Nenhum Juízo Final, meus filhos, pode dar-lhes aquele instante que não viveram, aquele objecto que não fruíram, aquele gesto de amor, que fariam «amanhã».
E, por isso, o mesmo mundo que criemos nos cumpre tê-lo com cuidado, como coisa que não é nossa, que nos é cedida para a guardarmos respeitosamente em memória do sangue que nos corre nas veias, da nossa carne que foi outra, do amor que outros não amaram porque lho roubaram.
Lisboa, 25 de Junho de 1959
Jorge de Sena


Ao rosto vulgar dos dias

Monstros e homens lado a lado,
Não à margem, mas na própria vida.
Absurdos monstros que circulam
Quase honestamente.
Homens atormentados, divididos, fracos.
Homens fortes, unidos, temperados.
*
Ao rosto vulgar dos dias,
A vida cada vez mais corrente,
As imagens regressam já experimentadas,
Quotidianas, razoáveis, surpreendentes.
*
Imaginar, primeiro, é ver.
Imaginar é conhecer, portanto agir.
alexandre o'neill

quinta-feira, março 16, 2006

just wondering...

Secret heart, what are you made of, what are you so afraid of?
Could it be three simple words or the fear of being overheard.
What's wrong? Let her in on your secret heart.
Secret heart, why so mysterious? Why so sacred, why so serious...
Maybe you're just acting tough, maybe you're just not bad enough.
What's wrong? Let her in on your secret heart.
This very secret that you're trying to conceal is the very same one you're dying to reveal.Go tell her how you feel.
Secret heart, come out and share it. This loneliness, few can bear it.
Could it have something to do with admitting that you just can't go through it alone!
Let her in on your secret heart.
This very secret that you're trying to conceal is the very same one that you're dying to reveal.
Go tell her how you feel, this very secret.
Go out and share it, this very secret.


[feist{SecretHert}LeItDie]

quarta-feira, março 15, 2006

Gostar de homens # 2

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Para aquelas mais distraidas este rapaz chama-se Fele (de Rafael) Martínez e entra em filmes como o Tesis, Abre los Ojos, Habla con ella, La Mala educación, Capitães de Abril (pois é !!) ... entre outros que eu não vi.

Gostar de homens # 1

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terça-feira, março 14, 2006



Someone else's date
In someone else's door
There's a girl with cherry Chapstick on and nothing more
It's such a lurid pose
and she seems this close
But not to me





Running around in circles all day long
yo la tengo_Cherry Chapstick
Levantou-se, como noutro qualquer dia. Em gestos automáticos ritualizou a manhã. Num esquema mental planeou o dia e entrou no fervilhar da rua a transbordar vida.
Aquele dia sabia-lhe a tantos outros dias idos e trazia o travo de tantos ainda por vir.
Gostava de ficar a observar os rostos que passavam. Imaginar cada vida por trás de cada corpo. Esse exercício ajudava-a a pensar sobre si.
O sol batia-lhe agora nas costas e aquecia-lhe o corpo. Sentia-o. Sentia aquele corpo como uma limitação material de si. Definia-a. Aquele corpo finito pertencia-lhe.
Sentia-se bem. A ansiedade que a habitava parecia agora adormecida. Como uma anestesia que apazigua a dor.
O tempo que passava, aumentando a desconfiança, parecia-lhe já suficiente para derrubar silêncios incómodos.
Sabia que noutra situação seria diferente. Sentia que a barricada havia sido ela a erguê-la mas não tinha forças para a derrubar. A cada minuto a barreira crescia a olhos vistos.
Levantou-se, insegura, e mergulhou na rua, que fervia gente.

domingo, março 12, 2006




Hoje, ao ouvir, a Joanita disse que eu era parecida com isto...



De onde eu venho há manhãs que começam assim!
The artist is the creator of beautiful things. To reveal art and conceal the artist is art's aim. The critic is he who can translate into another manner or a new material his impression of beautiful things.
The highest as the lowest form of criticism is a mode of autobiography.
Those who find ugly meanings in beautiful things are corrupt without being charming. This is a fault.
Those who find beautiful meanings in beautiful things are the cultivated.
For these there is hope. They are the elect to whom beautiful things mean only beauty.
There is no such thing as a moral or an immoral book. Books are well written, or badly written. That is all.
[...] The moral life of man forms part of the subject-matter of the artist, but the morality of art consists in the perfect use of an imperfect medium.
No artist desires to prove anything. Even things that are true can be proved. No artist has ethical sympathies. An ethical sympathy in an artist is an unpardonable mannerism of style.
No artist is ever morbid. The artist can express everything.
Thought and language are to the artist instruments of an art.
Vice and virtue are to the artist materials for an art.
From the point of view of form, the type of all the arts is the art of the musician. From the point of view of feeling, the actor's craft is the type. All art is at once surface and symbol.
Those who go beneath the surface do so at their peril.
Those who read the symbol do so at their peril.
It is the spectator, and not life, that art really mirrors. Diversity of opinion about a work of art shows that the work is new, complex, and vital. When critics disagree, the artist is in accord with himself. We can forgive a man for making a useful thing as long as he does not admire it.
The only excuse for making a useless thing is that one admires it intensely.

All art is quite useless.

Oscar Wilde, The Portrait of Dorian Gray (prefácio)

the state that I'm in.... # 5

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Mr. Oldman, at his best.

sábado, março 11, 2006

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250 000 bolas saltitonas pelas ruas de São Francisco

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campanha Sony Bravia.

quinta-feira, março 09, 2006

The roof is on fire...

Dez da manhã. Uma voz doce acordou-me e disse " Ana vamos sair. A casa do lado está a arder".
No meio do cheiro a queimado que enchia o prédio, mais a névoa que se levantara, fomos saindo sem pensar. Só respondendo às palavras ditas.
Na rua, à chuva, de pijama e chinelos viam-se as labaredas sair da casa que divide parede conosco. Os vidros rebentavam, as labaredas eram cada vez mais altas e entre choros e palavras desconexas parecia que os pedacinhos das nossas vidas iam também arder. Tudo.
" O fogo não passou porque não tinha que passar. Estava escrito" dizia o bombeiro.

Tudo se cruzou nas nossas cabeças. Se o fogo tivesse passado. E se estivessemos a dormir? E se as vizinhas estivessem a dormir?

O mundo gira à volta dos "se..?"

Mãe

No dia da mulher lembrei-me dela, vezes sem conta.
E as palavras teimam em se ausentar entre nós ou cravam-nos como punhais aguçados.


Image hosting by Photobucket Sinto-a assim, ao longe:


Fonte
II


No sorriso louco das mães batem as leves
gotas de chuva. Nas amadas
caras loucas batem e batem
os dedos amarelos das candeias.
Que balouçam. Que são puras.
Gotas e candeias puras. E as mães
aproximam-se soprando os dedos frios.
Seu corpo move-se pelo meio dos ossos filiais, pelos tendões
e órgãos mergulhados,
e as calmas mães intrínsecas sentam-se
na cabeças filiais.
Sentam-se, e estão ali num silêncio demorado e apressado,
vendo tudo,
e queimando as imagens, alimentando as imagens,
enquanto o amor é cada vez mais forte.
E bate-lhes nas caras, o amor leve.
O amor feroz.
E as mães são cada vez mais belas.
Pensam os filhos que elas levitam.
Flores violentas batem nas suas pálpebras.
Elas respiram ao alto e em baixo. São
silenciosas.
E a sua cara está no meio das gotas particulares
da chuva,
em volta das candeias. No contínuo
escorrer dos filhos.
As mães são as mais altas coisas
que os filhos criam, porque se colocam
na combustão dos filhos, porque
os filhos estão como invasores dentes-de-leão
no terreno das mães.
E as mães são poços de petróleo nas palavras dos filhos,
e atiram-se, através deles, como jactos
para fora da terra.
E os filhos mergulham em escafandros no interior
de muitas águas,
e trazem as mães como polvos embrulhados nas mãos
e na agudeza de toda a sua vida.
E o filho senta-se com a sua mãe à cabeceira da mesa,
e através dele a mãe mexe aqui e ali,
nas chávenas e nos garfos.
E através da mãe o filho pensa
que nenhuma morte é possível e as águas
estão ligadas entre si
por meio da mão dele que toca a cara louca
da mãe que toca a mão pressentida do filho.
E por dentro do amor, até somente ser possível
amar tudo,
e ser possível tudo ser reencontrado por dentro do
amor.

herberto helder

terça-feira, março 07, 2006

Seja a insatisfação o meu alimento último.
Sejam os rostos dos que passam essência de uma luz vazia, do despertar do nada.
As vozes que ouço e, silenciosas, me gritam aos ouvidos fazem-me preencher horas de vidas inócuas, onde tudo é asséptico, higienizado e perfeito.
E na podridão de existir seca-se um suspirar moribundo.
Lanço a mão e recolho um punhado de nada de sabor acre.
Cada passo dado é a queda plúmbea de mim. Tropeço no existir, baralho-me e não sei o Norte.
Corro na espera que a luz me trespasse e, num voo repentino, elevar-me para outra esfera
... longínqua.
Estado Segundo, XXI
Ama como a estrada começa
Mário Cesariny

quinta-feira, março 02, 2006

Quer-me parecer que tenho mais actividade cerebral durante a noite que durante o dia. Isto porque o meu cérebro tem produzido sonhos estranhíssimos nas últimas noites. Juro que esta noite estava alguém nas escadas da sala. Eu gritei mas "aquilo" manteve-se estático, num cantinho! E ir ao médico?