terça-feira, janeiro 31, 2006

Ser criado, gerar-se, transformar
O amor em carne e a carne em amor; nascer
Respirar, e chorar, e adormecer
E se nutrir para poder chorar

Para poder nutrir-se; e despertar
Um dia à luz e ver, ao mundo e ouvir
E começar a amar e então sorrir
E então sorrir para poder chorar.

E crescer, e saber, e ser, e haver
E perder, e sofrer, e ter horror
De ser e amar, e se sentir maldito

E esquecer tudo ao vir um novo amor
E viver esse amor até morrer
E ir conjugar o verbo no infinito...

(Vinicius de Moraes)

domingo, janeiro 29, 2006

Defino-me no agora pela incapacidade de sentir
...

O corpo trémulo recolhe-se à duna e espera.
Espera que cada pedaço de si estremeça no brilho da unidade.
Espera que os fulgorantes dedos do sol tragam o riso em várias bocas.
Que o vento tape a alma côncava de tempo.
Que o dia novo carregue a vontade do sentir uno no saber-se infinito.
E dessa infinitude prolongar-se no mar
...Com a boca a transbordar de luz.

sábado, janeiro 28, 2006

Cozzy



And Then Nothing Turned Itself Inside-Out

Did I tell you of the dark lonely road
I was counting my steps as I made my way home
Days of nothing but time on your hands, weighing on me
Can't deny it, undecided
Whether to count what I felt against what I could say

I try not to wonder, or tell you that I'm not willing to wait
'Cause deep in my heart I'm willing, heart's still willing
Brain's impatient, my heart's still willing to wait.

yo la tengo, fakebook, what can I say.


Life moves in strange ways...

E, de chofre, a felicidade visitou-me hoje, às 2 da manhã!

Quando me disseste para eu ir ter contigo ao Tropical, para conversarmos, pensei: sim, vou ter com o Pedro. É um bom dia para pôr-mos a conversa em dia. Eu a precisar de uns conselhos e tu apareceste. Quem melhor do que a pessoa que mais tempo passou comigo e aquela que melhor me conhece para me iluminar em questões de coração.

Cheguei e sentámo-nos. I have some big news for you! disseste.
Da boca sairam-me palavras - vais ser pai! Assim sem mais! Sairam.
Olhámo-nos e rimo-nos em sintonia. Com o teu sorriso de eterno menino perguntáste como é que eu sabia. Digo-te que há coisas que não se explicam. Sei ler-te ao milímetro, conheco-te como a mim!

A vida tem caminhos estranhos! Nós que sonhámos um caminho percorrido a dois!
Agora ver-te, ver-me ... A vida.

Obrigada pelo privilégio da notícia em primeira mão! Aquele momento foi a materialização de nós! Daquilo que somos para o outro!

Sei tão bem que desejavas este momento. Sei-te feliz, por isso sou eu feliz também. Sei que vais ser um bom pai! (E tu dizias que eu daria uma boa mãe).

Um turbilhão de sentimentos novos me avassala a mente. E sinto-me feliz, muito.

Parabéns meu pequeno!

quarta-feira, janeiro 25, 2006



O martírio de São Sebastião!
Tem um qualquer efeito fetiche sobre a minha pessoa... a minha figura religiosa de eleição.

depois de muitas horas...

se um dia a juventude voltasse
na pele das serpentes atravessaria toda a memória
com a língua em teus cabelos dormiria no sossego
da noite transformada em pássaro de lume cortante
como a navalha de vidro que nos sinaliza a vida

sulcaria com as unhas o medo de te perder... eu
veleiro sem madrugadas nem promessas nem riqueza
apenas um vazio sem dimensão nas algibeiras
porque só aquele que nada possui e tudo partilhou
pode devassar a noite doutros corpos inocentes
sem se ferir no esplendor breve do amor

depois... mudaria de nome de casa de cidade de rio
de noite visitaria amigos que pouco dormem e têm gatos
mas aconteça o que tem de acontecer
não estou triste não tenho projectos nem ambições
guardo a fera que segrega a insónia e solta os ventos
espalho a saliva das visões pela demorada noite
onde deambula a melancolia lunar do corpo

mas se a juventude viesse novamente do fundo de mim
com suas raízes de escamas em forma de coração
e me chegasse à boca a sombra do rosto esquecido
pegaria sem hesitações no leme do frágil barco... eu
humilde e cansado piloto
que só te sonhar me morro de aflição

al berto (in salsugem)

entre outros, também eu o gostaria de ter escrito

segunda-feira, janeiro 23, 2006

catarse....

"PORTUGAL QUE COM TODOS ESTES SENHORES, CONSEGUIU A CLASSIFICAÇÃO DO PAIZ MAIS ATRAZADO DA EUROPA E DE TODO O MUNDO! O PAIZ MAIS SELVAGEM DE TODAS AS ÁFRICAS! O EXÍLIO DOS DEGRADADOS E DOS INDIFERENTES! A AFRICA RECLUSA DOS EUROPEUS! O ENTULHO DAS DESVANTAGENS E DOS SOBEJOS! PORTUGAL INTEIRO HÁ-DE ABRIR OS OLHOS UM DIA - SE É QUE A SUA CEGUEIRA NÃO É INCURÁVEL E ENTÃO GRITARÁ COMMIGO, A MEU LADO, A NECESSIDADE QUE PORTUGAL TEM DE SER QUALQUER COISA DE ASSEIADO!"

Manifesto Anti- Dantas (1915)

Tu, que te dizes Homem!Tu, que te alfaiatas em modas e fazes cartazes dos fatos que vestes pra que se não vejam as nódoas de baixo! Tu, qu'inventaste as Ciências e as Filosofias, as Políticas, as Artes e as Leis, e outros quebra-cabeças de sala e outros dramas de grandes espectáculo... Tu, que aperfeiçoas a arte de matar... Tu que descobriste o cabo da Boa-Esperança e o Caminho-Marítimo da Índia e as duas Grandes Américas, e que levaste a chatice a estas terras e que trouxeste de lá mais Chatos pr'aqui e qu'inda por cima cantaste esses Feitos... Tu, qu'inventaste a chatice e o balão, e que farto de te chateares no chão te foste chatear no ar, e qu'inda foste inventar submarinos pra te chateares também por debaixo d'água... Tu, que tens a mania das Invenções e das Descobertas e que nunca descobriste que eras bruto, e que nunca inventaste a maneira de o não seres... Tu consegues ser cada vez mais besta e a este progresso chamas Civilização! (...)

A Cena do Ódio (1915)



Já dizia o Eça, há muito tempo atrás, Portugal não é um mau pais é antes um sítio mal frequentado!

sexta-feira, janeiro 20, 2006

Francisca:


É só para dizer que tenho a tua "prenda". Hoje vai ser difícil entregá-la. Monday Monday!

Ya te he dicho que te quiero?!

quinta-feira, janeiro 19, 2006

o Subutteo e o Mikado
mandar bolinhas de papel com as canetas para colar no tecto da sala de aula
ser mandado para a rua durante a aula
as Peta-Zetas que faziam estalidos na boca.
cantar a música da Arca de Nóe para os nossos amigos quando eles eram parvos..."vamos fazer amigos entre os animais..." (eu tinha a vesão adaptada à minha irmã)
O Heeman e a Sheera
aquelas hélices que eram duas peças, a hélice que se enfiava num pau, e depois rodávamos com as mãos e largávamos para aquilo voar..
fazer picotagem na escola
a cola pelicano
o homem da Regisconta, o Crisan, a laca Sunsilk
as borrachas azuis para as esferograficas
as garagens para os carrinhos com o elevador à manivela
os Marretas
assistir religiosamente ao TAL CANAL e o Duarte e companhia
os numeros de telefone com 6 digitos
as cabines telefonicas com portas
A Samantha Fox, a Sabrina, a Brigitte Nielsen, a Manuela Marle, a Bruna Lombardi e a Ruth Rita da Roda da Sorte.
A formúla 1 ao domingo
as cassetes, VHS e os vídeos Beta
Os chocolates da Regina
As bolachas torradas da Aliança
as tardes de NBA na RTP2
As línguas da sogra
Yogurtes da Vigor, quadrados e gigantescos, de coco e de chocolate...
as yogurteiras
as golas com folhinhos
o tv brinca
os Pega-Monstros
Os Transformers
as pistas de carros e de comboios electricos.
os rabichos que se deixavam crescer no cabelo
as bandoletes e as fitas pretas atarrachadas à testa
as saias de balão e as calças de licra que se atavam ao pé.
os Dossiers A5 com separadores
o arco e a flecha com ventosas
Batatas Fritas Pála-Pála
Calquitos
Fazer cópias com papel vegetal
jogar aos países, ao "Quantos-queres", fazer aviões e barcos de papel.
Ver os numeros da Casa Cheia
Ter Bichos-da-seda
Jogar ao Traga-Bolas
O Hino Nacional no fim da emissão da RTP
As televisões da ITT
Haviam umas carrinhas da Citroen com suspensão hidráulica ( que o meu paizinho teve uma e aquilo subia quando o carro ligava)
O bolo de aniversário com os jogadores de futebol
Os pirolitos e os chapéus de chuva de chocolate, as chuchas, os nougats, e fazer gelados em casa.
As lapiseiras com vários bicos que se tiravam em baixo e se punham em cima.
Os conguitos
O amolador a tocar a flauta na rua.
Colar autocolantes nas janelas do quarto.
Pôr posters na parede.
Jogar ao TRUUM e ao Corredor da Morte e à Macaca e ao PINPONETA, Pitá pitá pituxa...
Contar anedotas porcas entre miudos
Engolir espinhas e pastilhas.
Semear um feijão em algodão molhado e meter uma batata num copo de àgua.
Jogar ao elástico
o caprisonne eo sumol com as letras brancas... e só de laranja
os sumos da KAS, da Schweeps e a Spur Cola
Depois de jogar à bola 3 horas seguidas entrar pela pastelaria e pedir um copo de àgua ou chegar a casa e ir beber àgua directamente da torneira.
Aquelas máquinas de alisar o cabelo que tinham duas chapas em metel que aqueciam, e tinham a variante ondulado
As permanentes
A música da Eurovisão e os Jogos Sem Fronteiras
O Eládio Clímaco, a Serenela Andrade e a Vera Roquette
Combinar com os colegas deturma para andar à porrada.
Os jogos inter-turmas do ciclo
Ver o E.T. pela primeira vez e não conseguir conter o choro.
Escorregar pelos corrimãos das escadas.
as lutas de pacotes de leite escolar...
o Sassaricando, o Roque Santeiro, as Palavras Cruzadas e o Chuva na Areia
O Dallas, a Dinastia e o Falcon Crest
as bicicletas pasteleiras, as BMX com selim de plástico que deixavam o cú dorido durante dois dias.
os ténis com duas fitas de velcro
o livro da tabuada escolar
Meter o maior número de pastilhas Gorila (que eram rijas à brava!) à boca para ver quem fazia o balão maior
os estojos de fecho eclair e de lata
os Mata Ratos e os Censurados (a minha sogra é um boi!)
a mania das missangas
os porta chaves feitos com fios de plástico às cores
jogar às escondidas e à apanhada
os relógios digitais com a calculadora e montes de botõezinhos pequeninos
fazer ditados, cópias e "cantar" a tabuada no final da aula...
e as máquinas de venda em que se punha uma moeda de 5 escudos e se rodava o manipulo para sairem duas bolinhas(pastilhas).
jogar ao quarto-escuro e ao bate pé
Porque a minha vida se tem centrado no ponto errado.
Porque isso tem atrasado a minha vida. Porque perdi o norte.
Porque não pode ser. Por ser assim.
Porque não se pode repetir. Porque tudo tem um fim.
Porque o caminho é feito pelos caminhantes.
Porque não vale a pena. Porque nunca valeu. Porque eu não mereço.
Porque eu mereço. Por tudo e por nada.
Porque já chega. Porquê?
Porque isto não passa. Porque leva tempo.
Porque era previsível. Porque eu pedi. Porque eu ainda acredito.
Porque não sei o porquê.
Porque não se escolhe. Porque o mundo não é justo.
Porque gosto que me enganem. Porque estou cansada.
Porque no fim eu já sabia.
Porque não há nada a fazer.
Porque me resignei.
Porque está a passar.
Porque... ups! Está a passar.
Porque a dor vai passando.
Porque vai chegar o dia em que tudo passou.
Porque esse dia esteve nais longe...
Vou dormir.

terça-feira, janeiro 17, 2006

It's hard to breathe.

and to think...!

segunda-feira, janeiro 16, 2006

heartbreak. When you love somebody all you get is a mouth full of blood.

domingo, janeiro 15, 2006

Jusqu'ici tout va bien,

jusqu'ici tout va bien,

jusqu'ici tout va bien

... mais l'important c'est pas la chute, c'est l'atterrissage.

"...
O que fui outrora foi um desejo; partiu-se.

Adeus para sempre, rainha das fadas!
As tuas asas eram de sol, e eu cá vou andando.
Não estarei bem se não me deitar na cama.
Nunca estive bem senão deitando-me no universo.

Excusez un peu... Que grande constipação física!
Preciso de verdade e da aspirina."

F.P.

sábado, janeiro 14, 2006

Oh! Ana Oh! Ana, a tua casa é uma cabana.
Vem o vento norte... pum !!! Cabana ao ar.
Zás!!!

Era eu pequenita quando a minha avó me cantarolava esta música.

Há dias em que a casa vem mesmo abaixo.

sexta-feira, janeiro 13, 2006

matinée...


Ryan Adams "The Suicide Handbook"

Is this really happening?

Is this really happening to me?
I don't know how to feel

I don't know how to feel

Há horas em que o futuro parece distante a estrada alonga-se sob os nossos pés.
A boca sabe-nos às folhas secas que o caminho nos deixou, outrora verdes.
Aos nossos olhos regressam memórias de campos a perder de vista, quando o sol ainda invadia o sentir.
O corpo paira agora na indefinição.
E sente-se um passado. E o tempo transforma-se em matéria. Em mãos que muito tocaram e olhos que tudo viram.
Queima-me a alma o tempo e deixo de acreditar no brilho dos dias que virão.
O dia é hora cinza-prata e névoa e impregna-me o corpo de vazio.

Rendo-me ao sal das horas [matando minutos] e ao medo.
E num corpo alado sobrevôo o caminho percorrido na esperança do reencontro.

the state that I'm in 3





...e apetece-me pousar os meus ouvidos sobre isto:




- faixas 4 e 6 (a ouvir)
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco [...]

que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar [...]

onde um braço "meu te" procura

Mario Cesariny

quinta-feira, janeiro 12, 2006

au matin

Este blog vive dias de poucas palavras.
O silêncio é um meio declarativo e as palavras, por vezes, sobram.

... just tryin' to reach you...

terça-feira, janeiro 10, 2006

em loop... lá lá lá!!!




Hurry up, baby, 'cause we're going somewhere tonight

One glass of wine and you're mine and you know i just might...
You know i just might

Well the room goes boom to the sound of temptations and more
Twisting and turning that girl's looking good on the floor
Good on the floor

Well the four walls they collide
Until the blue-eyed girl decides to let me go home
Let me go home

Host plays a ghost in my house, gets a fist in the eye
Vinyl is crushed in the rush for the liquor supply
The liquor supply

Supremes in our dreams
Do we quit bein' obscene on the stairs
Daylight appears through the curtains and nobody cares
Nobody cares

Well the four walls they collide
Until the blue-eyed girl decides to let me go home
Let me go home

Daylight appears through the curtains and nobody cares
Supremes in our dreams
Do we quit bein' obscene on the stairs

Well the four walls they collide
Until the blue-eyed girl decides to let me go home
Let me go home

Let me go home Camera Obscura

the state that I'm in 2

domingo, janeiro 08, 2006

Hoje é manhã...

the coral in the morning

Shut the bedroom window in the morning
Go to the shop, make plans to be leaving
In the morning...
Thought I was sleeping,
it was just a dream,
An alleycat chewing on dead leaves
In the morning...

Out of the dark and into the light
When the morning comes
I will be alright

When I leave I try not to wake her
Tiana toast to yesterday's capers
In the morning....

She wrote my name on a red telephone box
When I got there she'd already rubbed it off
In the morning....

Out of the dark and into the light
When the morning comes I will be alright

And all this time I've watched it change
But it's still the same

In the morning...


As minhas leituras matinais deixaram-me perceber que o futuro da "nação" se avizinha negro. Há quem diga, inclusivamente, que 2006 será o pior ano da democracia portuguesa. O mês de Janeiro vai ser presenteado com aumentos nos preços da água, electricidade, gás, comida e bens de consumo. Nada que surpreenda a maior parte dos portugueses. Talvez possa desiludir aqueles que votaram no Engº Sócrates na esperança de ver materializada uma merecida mudança nos rumos da política do pais. Desenganem-se esses.
Se é verdade que todo em todo mundo a recessão económica se faz sentir, fruto da crise petrolífera e da instabilidade política mundial, em muito desencadeada pelos nossos amigos da administração Bush, aqui neste jardim à beira mar plantado os efeitos da crise mundial sentem-se um pouco como no epicentro de um terramoto. E as políticas do nosso primeiro também em nada têm ajudado, com a construção de elefantes brancos como o Aeroporto da Ota e da linha de TGV. Estas infraestruturas, cujas construções beneficiam a banca e os super empreiteiros, em pouco servirão os cidadãos portugueses que vivem dos rendimentos mínimos ou de subsídios de desemprego, nem mesmo a dita classe média, que cada vez mais se distancia da ideia de vida estável e desafogada. Enquanto isto acontece os problemas de fundo, como a garantia de um sistema de segurança social que a todos beneficie de futuro, vão sendo deixados para trás na esperança vã de que o Modelo Social Europeu chegue e nos salve do purgatório! Outra ilusão sebastianista, tão tipicamente portuguesa.
Para melhorar tudo, regue-se o ano com um novo Presidente da República (esfíngico) que confunde as suas funções com as de treinador de futebol. A imagem que se me assalta é a de Cavaco Silva, com apito em riste a coordenar o SBS (Sport Bancada Socialista) com José Socrates como capitão de equipa. Um social democrata a dirigir um socialista muuuiiito moderado! A visão do Inferno.
O melhor vai ser, daqui a um ano, quando se perceber o desastre que foi pôr Cavaco a presidente e... subitamente ninguém se vai lembrar de ter votado nele. No fim do cavaquismo, com o o país asfixiado, salários em atraso na função pública e outros desastres tais também ninguém se lembrava de o ter posto como chefe de governo. Memória curta, chama-se. Ou talvez memória selectiva?!
Espera-se então um ano que promete espaço para contestação e luta...
Espero também que Sharon morra, lenta e dolorosamente. Que me perdoem aqueles os mais humanos, mas por vezes desejo a morte a alguns seres que povoam a terra. O mais provável é que se assista a mais uma saga estilo Pinochet "tipo nem fode nem saí de cima", com os red necks todos a esfregar as mãos para tomarem de assalto o backstage político israelita (se bem que isso já está assegurado há muito).



No meio da manhã solarenga com um sabor amargo pela visão que o futuro parece trazer parar 2006 senti vontade de campos de malmequeres e de searas de trigo. De correr por eles com o vento a fugir-me pelos cabelos, com o Sol a tocar o rosto. Senti vontade da infância onde tudo é puro e cheio de luz... e onde o futuro parece sempre cheio de esperança. A saudade da inocência...

sábado, janeiro 07, 2006

Things aren't all so tangible and sayable as people would usually have us believe; most experiences are unsayable, they happen in a space that no word has ever entered, and more unsayable than all other things are works of art, those mysterious existences, whose life endures beside our own small, transitory life...

...to keep growing, silently and earnestly, through your while development; you couldn't disturb it any more violently than by looking outside and waiting for outside answers to question that only your innermost feeling, in your quietest hour, can perhaps answer...

rainer maria rilke, Cartas a um jovem poeta.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Bom dia!

Há dias em que é melhor não sair de casa. Diz o povo.
E eu descobri que há dias em que é melhor não dormir em casa.
O pesadelo começa lá para as 6, com alguém ligar incessantemente para o telefone, até às 7.
Depois foram uns meninos que eu conheço que chegaram a casa e decidiram dar os bons dias à malta entrando de rompante pelo quarto adentro.


Resultado:
Esta foi, more or less, a cara com que acordei esta manhã (pronto, se calhar com um bocadinho mais de olheiras!!!)

Agradeço encarecidamente que:
1. não me liguem de madrugada;
2. Não me liguem a dizer que estão à minha porta, às 7 da manhã. Se eu quiser que estejam às 7 da manhã à minha porta eu ligo (Eu não abro a porta a pessoas com falta de sentido de oportunidade nem a crentes nos milagres de Fátima!)
3. Ao Fred, ao Nuno e à outra voz que me veio dizer Bom Dia: tenho um péssimo acordar, sobretudo quando este é prematuro. Agradeço que não voltem a repetir a experiência da noite passada. Eu sei que a intenção não era massacrar...
4. Peço desculpa pelos insultos... isso lembro-me. Ainda por cima foram para aqueles que menos mal fizeram.
O mal disto tudo é que hoje é um dia cheio de coisas para fazer e eu ando com o piloto automático ligado e com uma cara de desencovada terrível.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

tic tac... 2



por lamechas e demodé que possa soar eu quero muito ter um filho.

"Arranja um emprego. Depois um pai, que um marido não precisas. A minha vida mudou para melhor quando tu nasceste. Se te faz feliz cria-o tu só. Cá estarei para ajudar."

oh mãe... arranja-me um trabalho que eu trato do resto.

Entre verniz vermelho, unhas, pés, o Chausesku e as Breaking News da CNN a anunciar a iminência da morte de Sharon, a noite de ontem.
Para que a dor seja mais leve, estamos cá. Porque a dor também foi nossa.
To heel pain... nail polisher....

(gratos pelos avisos das incorrecções gramaticais. Vou comprar um livro da Edite Estrela!)

manhã



a lembrar outro tempo.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

O dia começa. Igual a tantos outros. Sinto que já vi tudo. Que nada vai mudar. Sufoco.
Broken Flowers


Não há muito para dizer acerca do filme. Não é brilhante, mas por vezes as melhores coisas são aquelas mais simples. Goethe aconselhava a que se fosse simples como uma flor do campo.
Este é um filme sobre a vida, sobre o tempo e sobre flores. Sobre como o tempo amarelece as imagens do passado. É um filme sobre caminhos e caminhantes. Sobre trilhos e malhas que a vida tece. Sobre perda e (re)encontro. Sobre tempos e contratempos.
À boa maneira de Bergman (sem comparações cinematográficas mas com efeitos práticos semelhantes) consegue puxar por nós e fazer-nos pensar "na vida". Naquilo que foi e aquilo que poderia ser. Naquilo que é. No presente, olhando para um passado que, se agora estático e amarelecido, outrora foi vivo em nós...

terça-feira, janeiro 03, 2006

"Jabberwocky"

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!"
Ele arrancou sua espada vorpal e foi atras do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando atraves da floresta,
E borbulia um riso louco!
Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante!
Cabeca fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
"Pois entao tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!"
Ele se ria jubileu. Era briluz.
As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

(Tradução do "Jabberwocky" por Augusto de Campos)





'Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.


"Beware the Jabberwock, my son!
The jaws that bite, the claws that catch!
Beware the Jubjub bird, and shun
The frumious Bandersnatch!"


He took his vorpal sword in hand:
Long time the manxome foe he sought--
So rested he by the Tumtum tree,
And stood awhile in thought.


And, as in uffish thought he stood,
The Jabberwock, with eyes of flame,
Came whiffling through the tulgey wood,
And burbled as it came!


One two! One two! And through and through
The vorpal blade went snicker-snack!
He left it dead, and with its head
He went galumphing back.


"And hast thou slain the Jabberwock?
Come to my arms, my beamish boy!
O frabjous day! Callooh! Callay!"
He chortled in his joy.


'Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.


Jabberwocky, Through the Looking-Glass and What Alice Found There, 1872,
Lewis Carroll


another morning...

Isto dos blogs tem mais que se lhe diga. E andava eu com vontade de fechar o tasco!
Nem pensar... afinal reabrimos. Com a mesma qualidade no atendimento e a mesma gerência!
É preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma... quem é que não viu o Cinema Paradiso, quem?

Já agora e for something completely different queria ressaltar que o debate do canal 1 sobre "o estado das coisas e futurologia para a nação- ano 2006" com o Mestre Boaventura, a Bruxa Maria Filomena Mónica, o Adivinho Pacheco Pereira e o Futurólogo Miguel Portas foi um belo exemplo do quão baixo está o nível de discussão política e académica acerca dos porquês sebastianistas que rodeiam o nosso estado e que justificam o fosso que nos separa de uma europa dita desenvolvida. Foi um belo momento de luta entre a elite intelectual do nosso país e onde ficámos a saber que a Mariazinha faz compras no Mark's and Spencer e que nos momentos em que não faz sociologia e trabalha no ICS faz cházinhos de caridade para falar dos probrezinhos. E que além do mais tem pena dos ricos portugueses. Sei lá, tá a ver!!"É que os nossos ricos portugueses comparados com os do resto do mundo são uns pés rapados!"
Ó p'ra mim cheia de peninha do Belmiro...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

*

* i like couch & i like you...

Love is like a bottle of gin but a bottle of gin is not like love!

Pois bem : o Inferno de Dante é um bom retrato daquilo que foi a noite da passagem de ano.
Eu bem queria encerrar o buteco mas não o consigo fazer sem deixar o relato, numa de catarse da ressaca moral!
Pois bem, para aqueles que me conhecem e sabem que sou uma moça discreta e bem comportada, seguindo a linha daquilo que foram os ensinamentos da minha rica mãe em relação ao comportamento de uma senhora em público, teriam uma pequena surpresa.
Ora façam este exercício comigo: imagine-se que eu tinha enfiado quase uma garrafa de gin no bucho, mais uns decilitros de vinho, mais não sei o quê a regar tudo isto.
Quais os efeitos práticos destes excessos?
Eu a dançar, ora calçada ora descalça, ora com camisola ora sem camisola (calma que não me despi, se bem que há quem diga que eu estava meia despida o que é uma grande incorrecção. Que eu até sou uma moça muito púdica e lá por ter uma camisola menos tapada não implica que estivesse
au naturel, isso são más línguas conservadoras); a tentar manter o equilíbrio, a ter o acesso típico de amor fraternal para com a Humanidade, a dizer que gosto de toda a gente e a dar beijos a quem me rodeava! É. Eu sou assim, com um coração muito grande e muito amor para dar! Sobretudo quando a pinga me chega à cabeça!
De recordação trouxe um cotovelo massacrado por um qualquer tralho que dei e do qual não me lembro! Que também não é bom sinal!
Prezo em saber que havia mais gente em condição semelhante à minha.
Desde já aviso que fechei para balanço porque é bom depois de se tomarem atitudes menos ortodoxas sair de cena.
Bom Ano!