quinta-feira, novembro 10, 2005

Adeus

Já gastámos as palavras pela rua, meu amor,
e o que nos ficou não chega
para afastar o frio de quatro paredes.
Gastámos tudo menos o silêncio.
Gastámos os olhos com o sal das lágrimas,
gastámos as mãos à força de as apertarmos,
gastámos o relógio e as pedras das esquinas
em esperas inúteis.

Meto as mãos nas algibeiras e não encontro nada.
Antigamente tínhamos tanto para dar um ao outro;
era como se todas as coisas fossem minhas:
quanto mais te dava mais tinha para te dar.
Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes.
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos,
era no tempo em que o teu corpo era um aquário,
era no tempo em que os meus olhos
eram realmente peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco mas é verdade,
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus.

Eugénio de Andrade

Eu tenho que estudar... mas não consigo!!!
Em vez disso: tarde Second Coming, Stone Roses.
Em loop, aquele que foi o tema mais ouvido por mim durante o ano de 1996: Ten storey love song!


Uma amiga minha diz que o mundo devia ser como esta fotografia do Doisneau. Clichet... mas, às vezes acho que sim...

quarta-feira, novembro 09, 2005

Espero que a Tap tenha pára-quedas com fartura!

terça-feira, novembro 08, 2005

penso rápido


Sou um ser que encaixa bem na definição daquilo a que vulgarmente se chama de sonhador.
Tem as suas vantagens. Sinto tudo com as entranhas, e sinto muito!
Que o amor seja eterno, enquanto dure, já dizia o Vinicios.
Mas as contapartidas são muitas também.
...mas isto é só porrada e mal viver?! * É o reverso da medalha para os que sonham: muita lambada na tromba!
Às tantas o estranho é não levar porrada!
Um gajo habitua-se!

*José Màrio Branco, FMI

A vida em dois filmes...

/

Dois filmes muito importantes (para mim). O bom e o mau da essência humana. Espelhos da nossa natureza, da de todos.
Como é e como devia ser, tudo!

segunda-feira, novembro 07, 2005

Good morning sunshine!!



*sponsored by Silent Alarm, Bloc Party

domingo, novembro 06, 2005

Sinto vazio... tão óbvio que se cristaliza em verbo.

Há coisa de dois anos, dois anos e meio, o exmo. Ricardo Mariano passava o Japanese to English no Vidro Azul. Foi o meu primeiro contacto with Mr. Kozelek. Na altura pareceu-me a melhor coisa que alguma vez tinha ouvido.
Alguém dizia no outro dia que se, numa primeira audição, uma música causa arrepios isso deve ser interpretado como um bom sinal. Pois foi qualquer do género "arrepio" que me aconteceu com aquela música. E depois disso veio todo o encantamento (sim, eu sei que foi tardio, mas mais vale tarde...) com os Red House Painters.
Provavelmente, junto com o Summer Dress, uma das músicas mais bonitas com que os meus ouvidos tiveram o prazer de privar.

i went as far as losing sleep
i went as far as messing up my life
unloving still strike me different
a million miles away from home
and fifteen from a payphone

where we sat lonely on the sand

you're ten years older
we translate japanese to english
and english to japanese

it's not that simple
this dictionary never has a word
for the way i'm feeling
it's nothing plain for me
of a different god and moral
what if i laid my head down on your stomach
or put my mouth to your hand
i cannot translate
japanese to english
or english to japanese

what i had to say is unsaid
what i had to do is undone
and if it was done
i'm sure it would have killed our hour

where we sat lonely on the stand

above the water the awful gray

our current from japan
didn't sweep away

Japanese to English, Down Colorful Hill, RHP





[...]

spends her life inside, she thinks she isn't blessed ....

...easiest days of her life have been spent
wonders if she is loved, if she is missed

says a prayer as she's kissed by ocean mist
takes herself to the sand and dreams

Summer Dress, Ocean Beach, RHP


sexta-feira, novembro 04, 2005

"Se tanto me dói que as coisas passem
É porque cada instante em mim foi vivo
Na busca de um bem definitivo
Em que as coisas de Amor se eternizassem"

Sophia, claro...

quinta-feira, novembro 03, 2005

Manhã de...



Companhia da muitas manhãs.



A sinopse acaba com a frase " Não é alegre esta história, mas às vezes a vida também é assim."
Ja disse, vezes sem conta, que um dos filmes da minha vida e o Três Irmãos , da Teresa Villaverde.
Um filme, que pela estetica, caracteriza bem um cinema português-tipo que se fez durante os anos 90.
Lembro-me do filme e assalta-me a memoria a voz de um irmão da Maria ( interpretada pela "de Medeiros"). Uma criança que, ao longo do filme e em voz off, vai sussurrando perguntas :
-" Oh Maria, o que e a morte?"
-" Oh Maria, o que e o amor?"
E a Maria nunca responde. Porque não tem tempo e, porque a essas perguntas talvez seja a propria vida que se vai encarregando de nos dar as respostas.
A Maria e uma figura fragil que carrega o peso do mundo as costas, tentando ela propria não desmoronar.
A Maria apaixona-se mas não tem vida para ser feliz.
A Maria morre e não responde as perguntas.
Tambem não sei responder aquelas perguntas.
Se calhar e suposto não terem resposta.

quarta-feira, novembro 02, 2005

...


O meu medico* receitou-me uma dose diaria de Bloc Party, ao acordar.
Eu tambem recomendo.



* Eu sei que faltam acentos no texto. Se quiserem falar com o teclado pode ser que o convençam a querer ter uma vida normal e voltar a ser o mesmo de antes!