sexta-feira, janeiro 13, 2006

matinée...


Ryan Adams "The Suicide Handbook"

Is this really happening?

Is this really happening to me?
I don't know how to feel

I don't know how to feel

Há horas em que o futuro parece distante a estrada alonga-se sob os nossos pés.
A boca sabe-nos às folhas secas que o caminho nos deixou, outrora verdes.
Aos nossos olhos regressam memórias de campos a perder de vista, quando o sol ainda invadia o sentir.
O corpo paira agora na indefinição.
E sente-se um passado. E o tempo transforma-se em matéria. Em mãos que muito tocaram e olhos que tudo viram.
Queima-me a alma o tempo e deixo de acreditar no brilho dos dias que virão.
O dia é hora cinza-prata e névoa e impregna-me o corpo de vazio.

Rendo-me ao sal das horas [matando minutos] e ao medo.
E num corpo alado sobrevôo o caminho percorrido na esperança do reencontro.

the state that I'm in 3





...e apetece-me pousar os meus ouvidos sobre isto:




- faixas 4 e 6 (a ouvir)
Em todas as ruas te encontro
Em todas as ruas te perco [...]

que é de olhos fechados que eu ando
a limitar a tua altura
e bebo a água e sorvo o ar [...]

onde um braço "meu te" procura

Mario Cesariny

quinta-feira, janeiro 12, 2006

au matin

Este blog vive dias de poucas palavras.
O silêncio é um meio declarativo e as palavras, por vezes, sobram.

... just tryin' to reach you...

quarta-feira, janeiro 11, 2006

terça-feira, janeiro 10, 2006

em loop... lá lá lá!!!




Hurry up, baby, 'cause we're going somewhere tonight

One glass of wine and you're mine and you know i just might...
You know i just might

Well the room goes boom to the sound of temptations and more
Twisting and turning that girl's looking good on the floor
Good on the floor

Well the four walls they collide
Until the blue-eyed girl decides to let me go home
Let me go home

Host plays a ghost in my house, gets a fist in the eye
Vinyl is crushed in the rush for the liquor supply
The liquor supply

Supremes in our dreams
Do we quit bein' obscene on the stairs
Daylight appears through the curtains and nobody cares
Nobody cares

Well the four walls they collide
Until the blue-eyed girl decides to let me go home
Let me go home

Daylight appears through the curtains and nobody cares
Supremes in our dreams
Do we quit bein' obscene on the stairs

Well the four walls they collide
Until the blue-eyed girl decides to let me go home
Let me go home

Let me go home Camera Obscura

the state that I'm in 2

domingo, janeiro 08, 2006

Hoje é manhã...

the coral in the morning

Shut the bedroom window in the morning
Go to the shop, make plans to be leaving
In the morning...
Thought I was sleeping,
it was just a dream,
An alleycat chewing on dead leaves
In the morning...

Out of the dark and into the light
When the morning comes
I will be alright

When I leave I try not to wake her
Tiana toast to yesterday's capers
In the morning....

She wrote my name on a red telephone box
When I got there she'd already rubbed it off
In the morning....

Out of the dark and into the light
When the morning comes I will be alright

And all this time I've watched it change
But it's still the same

In the morning...


As minhas leituras matinais deixaram-me perceber que o futuro da "nação" se avizinha negro. Há quem diga, inclusivamente, que 2006 será o pior ano da democracia portuguesa. O mês de Janeiro vai ser presenteado com aumentos nos preços da água, electricidade, gás, comida e bens de consumo. Nada que surpreenda a maior parte dos portugueses. Talvez possa desiludir aqueles que votaram no Engº Sócrates na esperança de ver materializada uma merecida mudança nos rumos da política do pais. Desenganem-se esses.
Se é verdade que todo em todo mundo a recessão económica se faz sentir, fruto da crise petrolífera e da instabilidade política mundial, em muito desencadeada pelos nossos amigos da administração Bush, aqui neste jardim à beira mar plantado os efeitos da crise mundial sentem-se um pouco como no epicentro de um terramoto. E as políticas do nosso primeiro também em nada têm ajudado, com a construção de elefantes brancos como o Aeroporto da Ota e da linha de TGV. Estas infraestruturas, cujas construções beneficiam a banca e os super empreiteiros, em pouco servirão os cidadãos portugueses que vivem dos rendimentos mínimos ou de subsídios de desemprego, nem mesmo a dita classe média, que cada vez mais se distancia da ideia de vida estável e desafogada. Enquanto isto acontece os problemas de fundo, como a garantia de um sistema de segurança social que a todos beneficie de futuro, vão sendo deixados para trás na esperança vã de que o Modelo Social Europeu chegue e nos salve do purgatório! Outra ilusão sebastianista, tão tipicamente portuguesa.
Para melhorar tudo, regue-se o ano com um novo Presidente da República (esfíngico) que confunde as suas funções com as de treinador de futebol. A imagem que se me assalta é a de Cavaco Silva, com apito em riste a coordenar o SBS (Sport Bancada Socialista) com José Socrates como capitão de equipa. Um social democrata a dirigir um socialista muuuiiito moderado! A visão do Inferno.
O melhor vai ser, daqui a um ano, quando se perceber o desastre que foi pôr Cavaco a presidente e... subitamente ninguém se vai lembrar de ter votado nele. No fim do cavaquismo, com o o país asfixiado, salários em atraso na função pública e outros desastres tais também ninguém se lembrava de o ter posto como chefe de governo. Memória curta, chama-se. Ou talvez memória selectiva?!
Espera-se então um ano que promete espaço para contestação e luta...
Espero também que Sharon morra, lenta e dolorosamente. Que me perdoem aqueles os mais humanos, mas por vezes desejo a morte a alguns seres que povoam a terra. O mais provável é que se assista a mais uma saga estilo Pinochet "tipo nem fode nem saí de cima", com os red necks todos a esfregar as mãos para tomarem de assalto o backstage político israelita (se bem que isso já está assegurado há muito).



No meio da manhã solarenga com um sabor amargo pela visão que o futuro parece trazer parar 2006 senti vontade de campos de malmequeres e de searas de trigo. De correr por eles com o vento a fugir-me pelos cabelos, com o Sol a tocar o rosto. Senti vontade da infância onde tudo é puro e cheio de luz... e onde o futuro parece sempre cheio de esperança. A saudade da inocência...

sábado, janeiro 07, 2006

Things aren't all so tangible and sayable as people would usually have us believe; most experiences are unsayable, they happen in a space that no word has ever entered, and more unsayable than all other things are works of art, those mysterious existences, whose life endures beside our own small, transitory life...

...to keep growing, silently and earnestly, through your while development; you couldn't disturb it any more violently than by looking outside and waiting for outside answers to question that only your innermost feeling, in your quietest hour, can perhaps answer...

rainer maria rilke, Cartas a um jovem poeta.