sábado, outubro 29, 2005


"Mãe, eu quero ficar sozinho...
Mãe, não quero pensar mais...
Mãe, eu quero morrer mãe.
Eu quero desnascer, ir-me embora, sem ter que me ir embora. Mãe, por favor, tudo menos a casa em vez de mim. Outro maldito que não sou senão este tempo que decorre entre fugir de me encontrar e de me encontrar fugindo, de quê mãe? Diz, são coisas que se me perguntem? Não pode haver razão para tanto sofrimento.


E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar, mãe... Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar
..."
jmb, FMI
Estranhamente sinto um enorme vazio. E, em loop, relembro o dia em que o meu pai me pôs a ouvir o FMI.
Na altura, sem perceber o texto porque a idade não o permitia, senti uma enorme ângustia ...
Repete-se...

sexta-feira, outubro 28, 2005

"E no centro da cidade, um grito. Nele morrerei, escrevendo o que a vida me deixar. E sei que cada palavra escrita é um dardo envenenado, tem a dimensão de um túmulo, e todos os teus gestos são uma sinalização em direcção à morte [...]
Mas hoje, ainda longe daquele grito, sento-me na fímbria do mar. Medito no meu regresso. Possuo para sempre tudo o que perdi. E uma abelha pousa no azul do lírio, e no cardo que sobreviveu à geada [...] Bebo, fumo, mantenho-me atento, absorto [...] Ouço-te ciciar amo-te pela primeira vez, e na ténue luminosidade que se recolhe ao horizonte acaba o corpo. Recolho o mel, guardo a alegria, e digo-te baixinho: Apaga as estrelas, vem dormir comigo no esplendor da noite do mundo que nos foge."

Al berto, in Lunário

quinta-feira, outubro 27, 2005

A propósito...


... de um filme do Hitchcock que passava na sic mulher, sobre um ciêntista americano (físico) que , qual traidor, vendeu o seu trabalho à Alemanha de Leste durante a Guerra Fria lembrei-me desta imagem que vi pela primeira vez no blog de um antigo professor meu.
O filme, passado nos anos 50, transmite uma imagem de uma Alemanha comunista cinzenta e austera onde uma jovem Julie Andrews tenta trazer o seu marido do volta à razão, e de volta à tão amada pátria americana.
Ora o estigma do comunismo e dos seus ideiais de oposição ao mundo capitalista ainda hoje se mantém e expressa-se de maneira mais refinada.
Pelos vistos o comunismo é como o pecado: uma tentação do demónio, sempre à espreita nos lugares mais inóspitos.
Tenham medo, tenham muito medo!!!

quarta-feira, outubro 26, 2005

Loveless



Loveless, dos My Bloody Valentine, é o disco que poderia servir de banda sonora ideal para estes meus dias.
Alguém dizia que vivo uma fase de "don't ask/ don't tell".
Sentem-se coisas novas, finge-se que tudo é normal. Enganamo-nos dizendo que a novidade, afinal, sempre esteve ali.
Como se ignorar o sentir servisse de escudo protector contra hipotéticos desaires do coração.
Como se esconder fraquezas nos tornásse mais fortes.
Mas melhor mesmo é ouvir o disco.

terça-feira, outubro 25, 2005

sábado, outubro 22, 2005


O tempo passa mas eu espero por ti.
Lao Tse

Dreams full of promises, hopes for the future, I've had many
Dreams I can't remember now, hopes that I've forgotten, faded memories.
Still I love to see the sun go down, and the world go around.
And I love to see the morning as it steals across the sky.
And I love to remember, and I love to wonder why.
And I hope that I'm around, so I can be there when I die, when I'm gone.


Jonh Denver, pela voz de Mark Kozelek

Sem dúvida uma das minhas músicas preferidas, assim como Mr. Kozelek é uma das minhas vozes predilectas.
A verdade é que possuí (a música ) qualidades ditas terâpeuticas, qual panaceia para os meus males de espírito.
Nesta época tem servido como bolsa de ar, quando parece que o oxigénio na minha vida escasseia.
No meio da confusão, dos braços fugidíos que passam sem deixar marca e que nada aconchegam ouço aquela voz que me vai agasalhando.

Today I'm feelin' very Audrey...

terça-feira, outubro 04, 2005

Faltam palavras. Sobram pensamentos.
Ideias redemoinham pela casa... vazio que se instala na indefinição do caminho.
Avizinha-se pesado um destino traçado pelo eu ser. Desta maneira.
A indefinição nasce. A dor cresce.
Resta esperar pela bonança.
Que afaste a névoa da dor incerta.

sexta-feira, setembro 16, 2005

Desgarra-se do ventre a flor da vida para que um novo caminho seja percorrido.

domingo, setembro 04, 2005

Despeço-me de mim.
E na mácula do meu ser reinvento-me noutra cor.

domingo, agosto 21, 2005

gulf shores

It was hard enough to climb upon
It was slow going at first
Sister, you have laid long in the sun
Aren't you dying of thirst ?
Oh I see your suit is candy striped
And your legs are long and slim
If I whisper nothing's in your ear
Will you pass them on to him ?

You have laid here by the waterside
Since the day we came to town

Have you thought that you could waste away ?
You don't care much for yourself
There are circles deep beneath your eyes
Why do you do this to yourself ?
If you like, we two could take a ride
I would love to take you down
We could watch a blue heron in flight
We could see the sights in town

You have laid here by the waterside
You have let the family down

A cold and fruity drink awaits us both
Watch me frolic in the sand
O did you see me in the surf
With a starfish in my hand ?
Soon the restaurants will open up
Soon the bars will light their lights
You have aged, you must start looking up
Ugly things will come tonight

We could drive down to another beach
Even tan your skin seems white
All our friends have gone away from here

So let's disappear from sight




- esta música dos palace ganhou o galardão para banda sonora original do mês de agosto.

sexta-feira, agosto 19, 2005

depois do silêncio... Resurrection!!!
Still breathin'...

quarta-feira, julho 06, 2005