domingo, janeiro 08, 2006

Hoje é manhã...

the coral in the morning

Shut the bedroom window in the morning
Go to the shop, make plans to be leaving
In the morning...
Thought I was sleeping,
it was just a dream,
An alleycat chewing on dead leaves
In the morning...

Out of the dark and into the light
When the morning comes
I will be alright

When I leave I try not to wake her
Tiana toast to yesterday's capers
In the morning....

She wrote my name on a red telephone box
When I got there she'd already rubbed it off
In the morning....

Out of the dark and into the light
When the morning comes I will be alright

And all this time I've watched it change
But it's still the same

In the morning...


As minhas leituras matinais deixaram-me perceber que o futuro da "nação" se avizinha negro. Há quem diga, inclusivamente, que 2006 será o pior ano da democracia portuguesa. O mês de Janeiro vai ser presenteado com aumentos nos preços da água, electricidade, gás, comida e bens de consumo. Nada que surpreenda a maior parte dos portugueses. Talvez possa desiludir aqueles que votaram no Engº Sócrates na esperança de ver materializada uma merecida mudança nos rumos da política do pais. Desenganem-se esses.
Se é verdade que todo em todo mundo a recessão económica se faz sentir, fruto da crise petrolífera e da instabilidade política mundial, em muito desencadeada pelos nossos amigos da administração Bush, aqui neste jardim à beira mar plantado os efeitos da crise mundial sentem-se um pouco como no epicentro de um terramoto. E as políticas do nosso primeiro também em nada têm ajudado, com a construção de elefantes brancos como o Aeroporto da Ota e da linha de TGV. Estas infraestruturas, cujas construções beneficiam a banca e os super empreiteiros, em pouco servirão os cidadãos portugueses que vivem dos rendimentos mínimos ou de subsídios de desemprego, nem mesmo a dita classe média, que cada vez mais se distancia da ideia de vida estável e desafogada. Enquanto isto acontece os problemas de fundo, como a garantia de um sistema de segurança social que a todos beneficie de futuro, vão sendo deixados para trás na esperança vã de que o Modelo Social Europeu chegue e nos salve do purgatório! Outra ilusão sebastianista, tão tipicamente portuguesa.
Para melhorar tudo, regue-se o ano com um novo Presidente da República (esfíngico) que confunde as suas funções com as de treinador de futebol. A imagem que se me assalta é a de Cavaco Silva, com apito em riste a coordenar o SBS (Sport Bancada Socialista) com José Socrates como capitão de equipa. Um social democrata a dirigir um socialista muuuiiito moderado! A visão do Inferno.
O melhor vai ser, daqui a um ano, quando se perceber o desastre que foi pôr Cavaco a presidente e... subitamente ninguém se vai lembrar de ter votado nele. No fim do cavaquismo, com o o país asfixiado, salários em atraso na função pública e outros desastres tais também ninguém se lembrava de o ter posto como chefe de governo. Memória curta, chama-se. Ou talvez memória selectiva?!
Espera-se então um ano que promete espaço para contestação e luta...
Espero também que Sharon morra, lenta e dolorosamente. Que me perdoem aqueles os mais humanos, mas por vezes desejo a morte a alguns seres que povoam a terra. O mais provável é que se assista a mais uma saga estilo Pinochet "tipo nem fode nem saí de cima", com os red necks todos a esfregar as mãos para tomarem de assalto o backstage político israelita (se bem que isso já está assegurado há muito).



No meio da manhã solarenga com um sabor amargo pela visão que o futuro parece trazer parar 2006 senti vontade de campos de malmequeres e de searas de trigo. De correr por eles com o vento a fugir-me pelos cabelos, com o Sol a tocar o rosto. Senti vontade da infância onde tudo é puro e cheio de luz... e onde o futuro parece sempre cheio de esperança. A saudade da inocência...

sábado, janeiro 07, 2006

Things aren't all so tangible and sayable as people would usually have us believe; most experiences are unsayable, they happen in a space that no word has ever entered, and more unsayable than all other things are works of art, those mysterious existences, whose life endures beside our own small, transitory life...

...to keep growing, silently and earnestly, through your while development; you couldn't disturb it any more violently than by looking outside and waiting for outside answers to question that only your innermost feeling, in your quietest hour, can perhaps answer...

rainer maria rilke, Cartas a um jovem poeta.

sexta-feira, janeiro 06, 2006

Bom dia!

Há dias em que é melhor não sair de casa. Diz o povo.
E eu descobri que há dias em que é melhor não dormir em casa.
O pesadelo começa lá para as 6, com alguém ligar incessantemente para o telefone, até às 7.
Depois foram uns meninos que eu conheço que chegaram a casa e decidiram dar os bons dias à malta entrando de rompante pelo quarto adentro.


Resultado:
Esta foi, more or less, a cara com que acordei esta manhã (pronto, se calhar com um bocadinho mais de olheiras!!!)

Agradeço encarecidamente que:
1. não me liguem de madrugada;
2. Não me liguem a dizer que estão à minha porta, às 7 da manhã. Se eu quiser que estejam às 7 da manhã à minha porta eu ligo (Eu não abro a porta a pessoas com falta de sentido de oportunidade nem a crentes nos milagres de Fátima!)
3. Ao Fred, ao Nuno e à outra voz que me veio dizer Bom Dia: tenho um péssimo acordar, sobretudo quando este é prematuro. Agradeço que não voltem a repetir a experiência da noite passada. Eu sei que a intenção não era massacrar...
4. Peço desculpa pelos insultos... isso lembro-me. Ainda por cima foram para aqueles que menos mal fizeram.
O mal disto tudo é que hoje é um dia cheio de coisas para fazer e eu ando com o piloto automático ligado e com uma cara de desencovada terrível.

quinta-feira, janeiro 05, 2006

tic tac... 2



por lamechas e demodé que possa soar eu quero muito ter um filho.

"Arranja um emprego. Depois um pai, que um marido não precisas. A minha vida mudou para melhor quando tu nasceste. Se te faz feliz cria-o tu só. Cá estarei para ajudar."

oh mãe... arranja-me um trabalho que eu trato do resto.

Entre verniz vermelho, unhas, pés, o Chausesku e as Breaking News da CNN a anunciar a iminência da morte de Sharon, a noite de ontem.
Para que a dor seja mais leve, estamos cá. Porque a dor também foi nossa.
To heel pain... nail polisher....

(gratos pelos avisos das incorrecções gramaticais. Vou comprar um livro da Edite Estrela!)

manhã



a lembrar outro tempo.

quarta-feira, janeiro 04, 2006

O dia começa. Igual a tantos outros. Sinto que já vi tudo. Que nada vai mudar. Sufoco.
Broken Flowers


Não há muito para dizer acerca do filme. Não é brilhante, mas por vezes as melhores coisas são aquelas mais simples. Goethe aconselhava a que se fosse simples como uma flor do campo.
Este é um filme sobre a vida, sobre o tempo e sobre flores. Sobre como o tempo amarelece as imagens do passado. É um filme sobre caminhos e caminhantes. Sobre trilhos e malhas que a vida tece. Sobre perda e (re)encontro. Sobre tempos e contratempos.
À boa maneira de Bergman (sem comparações cinematográficas mas com efeitos práticos semelhantes) consegue puxar por nós e fazer-nos pensar "na vida". Naquilo que foi e aquilo que poderia ser. Naquilo que é. No presente, olhando para um passado que, se agora estático e amarelecido, outrora foi vivo em nós...

terça-feira, janeiro 03, 2006

"Jabberwocky"

Era briluz.
As lesmolisas touvas roldavam e reviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.
"Foge do Jaguadarte, o que não morre!
Garra que agarra, bocarra que urra!
Foge da ave Fefel, meu filho, e corre
Do frumioso Babassura!"
Ele arrancou sua espada vorpal e foi atras do inimigo do Homundo.
Na árvore Tamtam ele afinal
Parou, um dia, sonilundo.
E enquanto estava em sussustada sesta,
Chegou o Jaguadarte, olho de fogo,
Sorrelfiflando atraves da floresta,
E borbulia um riso louco!
Um dois! Um, dois! Sua espada mavorta
Vai-vem, vem-vai, para tras, para diante!
Cabeca fere, corta e, fera morta,
Ei-lo que volta galunfante.
"Pois entao tu mataste o Jaguadarte!
Vem aos meus braços, homenino meu!
Oh dia fremular! Bravooh! Bravarte!"
Ele se ria jubileu. Era briluz.
As lesmolisas touvas
Roldavam e relviam nos gramilvos.
Estavam mimsicais as pintalouvas,
E os momirratos davam grilvos.

(Tradução do "Jabberwocky" por Augusto de Campos)





'Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.


"Beware the Jabberwock, my son!
The jaws that bite, the claws that catch!
Beware the Jubjub bird, and shun
The frumious Bandersnatch!"


He took his vorpal sword in hand:
Long time the manxome foe he sought--
So rested he by the Tumtum tree,
And stood awhile in thought.


And, as in uffish thought he stood,
The Jabberwock, with eyes of flame,
Came whiffling through the tulgey wood,
And burbled as it came!


One two! One two! And through and through
The vorpal blade went snicker-snack!
He left it dead, and with its head
He went galumphing back.


"And hast thou slain the Jabberwock?
Come to my arms, my beamish boy!
O frabjous day! Callooh! Callay!"
He chortled in his joy.


'Twas brillig, and the slithy toves
Did gyre and gimble in the wabe;
All mimsy were the borogoves,
And the mome raths outgrabe.


Jabberwocky, Through the Looking-Glass and What Alice Found There, 1872,
Lewis Carroll


another morning...

Isto dos blogs tem mais que se lhe diga. E andava eu com vontade de fechar o tasco!
Nem pensar... afinal reabrimos. Com a mesma qualidade no atendimento e a mesma gerência!
É preciso que tudo mude para que tudo fique na mesma... quem é que não viu o Cinema Paradiso, quem?

Já agora e for something completely different queria ressaltar que o debate do canal 1 sobre "o estado das coisas e futurologia para a nação- ano 2006" com o Mestre Boaventura, a Bruxa Maria Filomena Mónica, o Adivinho Pacheco Pereira e o Futurólogo Miguel Portas foi um belo exemplo do quão baixo está o nível de discussão política e académica acerca dos porquês sebastianistas que rodeiam o nosso estado e que justificam o fosso que nos separa de uma europa dita desenvolvida. Foi um belo momento de luta entre a elite intelectual do nosso país e onde ficámos a saber que a Mariazinha faz compras no Mark's and Spencer e que nos momentos em que não faz sociologia e trabalha no ICS faz cházinhos de caridade para falar dos probrezinhos. E que além do mais tem pena dos ricos portugueses. Sei lá, tá a ver!!"É que os nossos ricos portugueses comparados com os do resto do mundo são uns pés rapados!"
Ó p'ra mim cheia de peninha do Belmiro...

segunda-feira, janeiro 02, 2006

*

* i like couch & i like you...

Love is like a bottle of gin but a bottle of gin is not like love!

Pois bem : o Inferno de Dante é um bom retrato daquilo que foi a noite da passagem de ano.
Eu bem queria encerrar o buteco mas não o consigo fazer sem deixar o relato, numa de catarse da ressaca moral!
Pois bem, para aqueles que me conhecem e sabem que sou uma moça discreta e bem comportada, seguindo a linha daquilo que foram os ensinamentos da minha rica mãe em relação ao comportamento de uma senhora em público, teriam uma pequena surpresa.
Ora façam este exercício comigo: imagine-se que eu tinha enfiado quase uma garrafa de gin no bucho, mais uns decilitros de vinho, mais não sei o quê a regar tudo isto.
Quais os efeitos práticos destes excessos?
Eu a dançar, ora calçada ora descalça, ora com camisola ora sem camisola (calma que não me despi, se bem que há quem diga que eu estava meia despida o que é uma grande incorrecção. Que eu até sou uma moça muito púdica e lá por ter uma camisola menos tapada não implica que estivesse
au naturel, isso são más línguas conservadoras); a tentar manter o equilíbrio, a ter o acesso típico de amor fraternal para com a Humanidade, a dizer que gosto de toda a gente e a dar beijos a quem me rodeava! É. Eu sou assim, com um coração muito grande e muito amor para dar! Sobretudo quando a pinga me chega à cabeça!
De recordação trouxe um cotovelo massacrado por um qualquer tralho que dei e do qual não me lembro! Que também não é bom sinal!
Prezo em saber que havia mais gente em condição semelhante à minha.
Desde já aviso que fechei para balanço porque é bom depois de se tomarem atitudes menos ortodoxas sair de cena.
Bom Ano!