segunda-feira, agosto 28, 2006


Uma voz na pedra


Não sei se respondo ou se pergunto. Sou uma voz que nasceu na penumbra do vazio. Estou um pouco ébria e estou crescendo numa pedra. Não tenho a sabedoria do mel ou a do vinho.De súbito ergo-me como uma torre de sombra fulgurante. A minha ebriedade é a da sede e a da chama. Com esta pequena centelha quero incendiar o silêncio. O que eu amo não sei. Amo em total abandono. Sinto a minha boca dentro das árvores e de uma oculta nascente.Indecisa e ardente, algo ainda não é flor em mim. Não estou perdida, estou entre o vento e o olvido. Quero conhecer a minha nudez e ser o azul da presença. Não sou a destruição cega nem a esperança impossível.Sou alguém que espera ser aberto por uma palavra.

antónio ramos rosa


Teu corpo principia




Dou-te um nome de água para que cresças no silêncio. Invento a alegria da terra que habito porque nela moro. Invento do meu nada esta pergunta. (Nesta hora, aqui.) Descubro esse contrário que em si mesmo se abre: ou alegria ou morte. Silêncio e sol – verdade, respiração apenas. Amor, eu sei que vives num breve país. Os olhos imagino e o beijo na cintura, ó tão delgada. Se é milagre existires, teus pés nas minhas palmas. Ó maravilha, existo no mundo dos teus olhos. Ó vida perfumada cantando devagar. Enleio-me na clara dança do teu andar. Por uma água tão pura vale a pena viver. Um teu joelho diz-me a indizível paz.
antónio ramos rosa

sexta-feira, agosto 25, 2006

"E se inventássemos o mar de volta, e se inventássemos partir, para regressar. Partir e aí nessa viajem ressuscitar da morte às arrecuas que me deste. Partida para ganhar, partida de acordar, abrir os olhos, numa ânsia colectiva de tudo fecundar, terra, mar[...]
Lembrar como o mar nos ensinava a sonhar alto, lembrar nota a nota o canto das sereias, lembrar o depois do adeus, e o frágil e ingénuo cravo da Rua do Arsenal, lembrar cada lágrima, cada abraço, cada morte, cada traição, partir aqui com a ciência toda do passado, partir, aqui, para ficar...
[...] Neste cais está arrimado o barco sonho em que voltei. Neste cais eu encontrei a margem do outro lado [...] Diz lá, valeu a pena a travessia? Valeu pois."
fmi.josémáriobranco
(Há palavras que nos tocam, umas mais que outras...
estas são parte de outras...
quando a nostalgia corrói vêm à memória.
E hoje voltam a fazer sentido. Como sempre.
...e a curta da regina pessoa, que hoje no meio de uns livros do ICAM relembrei.)

after sun...

de volta às quatro paredes da delegação

sábado, agosto 05, 2006

Vou a banhos ... até já

porque eu tenho ...



à Francisca, ao Jorge, à Ritinha, e à minha doce Ana Luísa...

obrigada por me aturarem... e pela V ...

segunda-feira, julho 31, 2006

Noi albinoi



talvez por ser a Islândia o meu destino de sonho... talvez pela brancura...

... este foi o único filme que não consegui acabar este fim-de-semana.
Hoje...

E sonho com férias. Mas em paragens mais cálidas.

sexta-feira, julho 28, 2006

gostar de homens #4

daniel day lewis e camille belle_ the ballad of jack & rose



mark ruffalo e sarah polley _ my life without me

quinta-feira, julho 27, 2006

Ai Ai




a cabeça mexe-se de maneiras estranhas...
e eu hoje flutuo...

terça-feira, julho 25, 2006

Litão da Bairrada

Afinal o litão existe mesmo. É de Olhão e é primo do tubarão.

hi hi hi

sábado, julho 22, 2006

A uu-ua e a ba-ue-ia



De repente todos os traumas têm uma explicação. Os pequenos epísódios da infância, aqueles que marcaram, persistiram no tempo e deixaram marcas. Umas mais visíveis que outras. Cresceram conosco.

Bom mesmo é ver o filme. Cada um que fale por si. A minha luta entra a lula e a baleia foram as noites a fio passadas na pediatria do Hospital de Faro, com dores de barriga que só existiram na minha cabeça. Tudo para poder ter aquelas manhãs passadas na pastelaria Gardy, em Faro, com o meu pai a comer aqueles fabulosos croissantes de chocolate!

last night...












I dreamet that somebody loved me...


22 de Julho de 1954

O pai João (que é o rapaz da foto) faz hoje 52 anos.



Lembrei-me de um postal que ele uma vez trouxe e me deu que dizia :

"O meu pai é o maior. Não tem medo de nada. Nem mesmo de Monstros com 10 olhos!"

Subscrevo tudo o ali escrito! Até a parte dos monstros, que ele afastou quando eu tinha terror de dormir sozinha. Foi também ele que me ajudou a construir, a transformar-me naquilo que sou.
Sempre o ouvi dizer:

"As minhas filhas não me puderam escolher como pai.
Que tenham a opção de me escolher como amigo."

E assim foi. Assim é. Ele, o meu melhor amigo! Parabéns Papi!!

sexta-feira, julho 21, 2006

Ó Pedro, a tua prima Rita vem aqui !