domingo, outubro 01, 2006

In the morning...

Certamente, um dos melhores discos de 2006, o último trabalho dos Yo La Tengo, muito próximo do registo do álbum "And then nothing turn itself upside down" (2000, Matador Records) ...


A ler sobre o álbum: aqui e aqui.



a ouvir em loop...

sábado, setembro 30, 2006

Naquela noite concluiram que boçal era o adjectivo que vestia como se fosse a sua própria pele.

quinta-feira, setembro 28, 2006

Eu vou!

26/10...

Shawn, volta que estás perdoado.



Corria, se não me falha a memória, o ano de 1999, aka o ano em que vi o pior concerto da minha vida.

Quem conseguiu tal proeza? Não, não foram os Happy Mondays. Mas, se bem me lembro, o único concerto que vi dos irmãos Ryder (suponho que em 1999, na Zambujeira do Mar) foi, de facto, como que uma faca a espetar de fininho no meu coraçãozito teenager.
Mau, muito mau é verdade. Nada que no fundo eu já não esperásse tendo em conta o avançado estado de decomposição da banda e dos respectivos membros. Apesar de tudo foi o culminar de uns anos de espera para poder ver uma das minhas bandas preferidas. Logo, o momento conseguiu ter a sua grandeza.
Mas, voltando ao assunto primordial deste flashback sonoro e visual que me abalrroou o pensamento esta manhã, tenho a dizer que os Arab Strap foram, para mim a pior banda alguma vez vista ao vivo. No mesmo malfadado ano de 1999 vi-os 2 vezes, e cada uma pior que a outra: uma na dita Zambujeira e, em Novembro desse ano, no Coliseu do Porto a abrir os Tindersticks que lançavam o Simple Pleasures.
Não há palavras. No primeiro concerto, a piela do Sr. Moffat era tal que mal se lhe entendia aquilo que lhe saía pela boca, supostamente frases compostas com palavras concretas.
Na segunda vez, ouvi alguém dizer nos corredores do Coliseu - " Fogo, eu nem entro. Esse gajo é uma seca!".
Tive pena dos artistas, solidarizei-me com a causa e entrei para lhes dar uma segunda oportunidade, nem que fosse porque tinha mesmo que esperar pelos Tindersticks. Erro.
O tédio comia os corpinhos daqueles meninos que tentavam manter-se de pé no concerto, quase fazendo um favor à assistência.
Eu até lhes achava graça, aos discos e às musiquinhas "ai-triste-sina-a-minha". Mas, ao vivo... não recomendo de todo.
Antes Manchester a Glasgow (com excepção para o b&Ss e para os Camera Osbcura).
E volta Shawn* que estás perdoado!
*S.Ryder- vocalista dos Happy Mondays

quarta-feira, setembro 27, 2006

"e lembro-me muito bem do teu riso. há coisas que nunca se apagam da memoria, e se há coisa que me lembro mais vezes quando me sinto só é dos vossos risos."
O tempo, apenas uma unidade de medida. Insisto na ideia desde há muito. Assim desvio a hipótese de funestos efeitos desse mesmo tempo sobre a linha que é a minha vida.

Mas o tempo mata[.me.nos]- o Tempo é a ruína da Humanidade. Anestesia os sentidos e inibe o sangue de pulsar. Bloqueia o sentir e, devagarinho, roe-nos as entranhas.
O tempo passa e queima-nos as extremidades que nos fazem sentir. Com o tempo a pele fica amarelada como a alma que nos habita o ser. Ficamos bafientos, a humidade entranha-se em nós... e, num dia- igual a qualquer outro - o sangue deixou de nos correr pelas veias.E com o amarelo da alma vem a incapacidade do sonho, que também chega com o tempo.
O tempo oferece-nos a evidência da solidão e da unidade. A evidência do eu livre, mas agrilhoado ao tempo.

O tempo é a água a correr, é a erosão nas rochas, é a decomposição dos corpos, da matéria. É a morte (e vida) em cada segundo.
É o saber me aqui. É a indefinição do caminho. São os meus olhos vazios. É o não haver luz. É o vazio da indefinição. É a ânsia da âncora. É a espera pelas vagas, que empurrem o corpo na costa.

Um dia acordamos e o tempo passou. À nossa volta fica o nada que fizémos com ele.

quarta-feira, setembro 20, 2006



sad, trying to keep some hope

sábado, setembro 16, 2006

Chamo-Te porque tudo está ainda no princípio
E suportar é o tempo mais comprido.

Peço-Te que venhas e me dês a liberdade,
Que um só dos teus olhares me purifique e acabe.
Há muitas coisas que eu quero ver.

Peço-Te que sejas o presente.
Peço-Te que inundes tudo.
E que o teu reino antes do tempo venha.

E se derrame sobre a Terra
Em primavera feroz pricipitado.

sophia de mello breyner

sexta-feira, setembro 15, 2006

júlio pomar
Sinto o terror
de um agora perpétuo na decomposição da matéria.
Asfixia-me o ar
e é plúmblea a certeza de me saber assim.
Estéreis,
os gritos ecoam no vazio.
Não é extraordinário pensar que dos três tempos em que dividimos o tempo - o passado, o presente e o futuro -, o mais difícil, o mais inapreensível, seja o presente? O presente é tão incompreensível como o ponto, pois, se o imaginarmos em extensão, não existe; temos que imaginar que o presente aparente viria a ser um pouco o passado e um pouco o futuro. Ou seja, sentimos a passagem do tempo. Quando me refiro à passagem do tempo, falo de uma coisa que todos nós sentimos. Se falo do presente, pelo contrário, estarei falando de uma entidade abstracta. O presente não é um dado imediato da consciência.
Sentimo-nos deslizar pelo tempo, isto é, podemos pensar que passamos do futuro para o passado, ou do passado para o futuro, mas não há um momento em que possamos dizer ao tempo: «Detém-te! És tão belo...!», como dizia Goethe. O presente não se detém. Não poderíamos imaginar um presente puro; seria nulo. O presente contém sempre uma partícula de passado e uma partícula de futuro, e parece que isso é necessário ao tempo.

Jorge Luís Borges, in 'Ensaio: O Tempo'
Estes estão gravados em VHS e lembram-me as tardes de secundário pregada à Mtv.
The Stone Roses - Ten Storey Love Song
Weezer - Buddy Holly
Throwing Muses - Bright Yellow Gun
Stone Temple Pilots - Plush