terça-feira, dezembro 11, 2007

Manhã Five Leaves Left

Há pessoas que, sem nunca as ter conhecido, habitam a minha cabeça.
Adopto-as e tento encontrar-lhes sentido para as suas vidas, algumas delas sem sentido.
Admira-se qualquer coisa nelas, muitas vezes apenas por terem vivido numa margem da vida de acesso restrito aos comuns. Não são ídolos; no fundo era bom termos sido vizinhos ou colegas de escola, nada mais. " Arroupar com admiração" ...



Então digo que "arroupo" Nick Drake com admiração.
E digo Five Leaves Left é um daqueles discos que toda a gente devia ouvir.

A Skin Too Few é o documentário sobre a vida deste músico e está aqui (parte 1), aqui (parte 2), aqui (parte 3), aqui (parte 4) e aqui (parte 5) para quem quiser ver.


segunda-feira, dezembro 10, 2007



Cada coisa tem um tempo. Esta coisa antecipou o seu, chegou antes de tempo.
Melhor dizendo, veio fora das condições meteorológicas que lhe seriam mais favoráveis para uma melhor audição.
Agora sim, a César o que é de César!

( obrigada * )

quinta-feira, dezembro 06, 2007

ilustração Teresa Amaral
...mais na Mulher Bala

*


Desvio dos teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
de frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada ...

Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio ...

Começas a vestir-te, lentamente,
e é ternura que também vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo ...

Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!


Ternura,
David Mourão Ferreira,
in Antologia de Poesia Portuguesa
Erótica e Satírica

* helmut newton


#oda-se ... a minha Rita é do #@%@/#§!!!!!



(Dan Graham, A Mather of Time - Past Present Continuous)

Been here, done this ... Ok! ... Not that high. I was wearing heels!


(Recomendo tanto que vou lá voltar para acabar de explorar aquilo!)




(Nam June Paik, Moon Was the First Cinema)




(Bruce Nauman, Going Around The Corner Piece)



e mais o Tony Oursler e mais e mais e mais ....

quarta-feira, dezembro 05, 2007

Cinco Noites, Cinco Filmes
Aqui estão as sugestões. Podiam ser outros os filmes escolhidos, porque há muitos e bons filmes por aí ... vistos e por ver. Estes foram importantes na altura em que os vi e continuam a ser, para mim, filmes de referência .



A Zed and Two Noughts, Peter Greenaway




Eternal Sunshine of the Spotless Mind, Michel Gondry


Fanny Och Alexander, Ingmar Bergman


Der Himmel Uber Berlin, Wim Wenders







Il Decameron, Pier Paolo Pasolini
Passo agora a corrente daqui para:
O Afonso, para a Irina, para a Ana, para a Rita, Lara e para o Zé Miguel

sexta-feira, novembro 30, 2007

adeus ó terra ... adeus linda serra ... que eu cá vou ver o Control ...

até para a semana ...
sista, we're connected !





quinta-feira, novembro 29, 2007

Há já muito tempo que pretendo escrever sobre a duração
não um ensaio, uma peça de teatro ou história
-a duração exige a poesia.
Quero interrogar-me num poema,
lembrar-me num poema,
afirmar e conservar num poema
o que é a duração.

A duração é algo que já tantas vezes senti, nos prenúncios
da Primavera de Fontaine Sainte-Marie,
na brisa nocturna da Porte d'Auteuil,
ao sol estival da região do Karst,
a caminho da casa, às primeiras horas da madrugada,
após uma comunhão com o meu ser.

Essa duração o que foi?
Foi um espaço de tempo?
Algo de mensurável? Uma certeza?
Não, a duração foi um sentimento
o mais fugidío de todos os sentimentos,
que passa muitas vezes mais depressa que um instante
imprevisível, impossível de dirigir,
impalpável, imensurável.
E, no entanto, teria podido, com a sua ajuda,
rir-me para qualquer adversário e desarmá-lo,
fosse ele qual fosse,
teria transformado a opinião
de que sou uma pessoa má
na convicção profunda:
"Ele é bom!",
e se houvesse um deus,
o sentimento da duração seria há muito seu filho.
[...]




peter handke, poema à duração



skip ... skip ... skip ...

crise auditiva ...

não sei o que ouvir.

talvez seja um intoxicação auditiva...


terça-feira, novembro 27, 2007

agora vou ...



mas fica cá ela ...



Uma amiga pergunta-me se é melhor a monogamia ou a poligamia. Respondo:
Tinha treze ou catorze anos. Estudava piano e harmonia no Conservatório de Atenas. [...] Era Verão e véspera dos exames. [...] Um dia, depois de acabar de harmonizar um basso obligatto, entrei numa sala onde um colega meu, clarinetista [...] estava a estudar uma peça do exame. [...] Reparei que o seu clarinete era velho [...] e perguntei-lhe se se ía apresentar a exame com aquele mesmo instrumento. A princípio pôs-se a olhar para mim, boquiaberto, depois sorrindo com malícia, respondeu: “Não. Este é o meu clarinete de estudar. Para tocar em público tenho o clarinete bom.”
Para justificar a monogamia no matrimónio, os evolucionistas contavam do seguinte modo a formação da família: o homem diziam, no princípio vivia como as bestas, em estado de promiscuidade. Num segundo tempo, os filhos começaram a juntar-se à volta da mãe (permanecendo o pai mais ou menos ignorado), constituindo-se assim o matriarcado. Mais tarde ainda, o pai tornou-se, por sua vez, o chefe de família e formou o patriarcado que, na sua origem, era poligâmico e que só em recentes épocas se tornou monogâmico. Karl Marx, por seu turno, define a monogamia como “uma superestrutura da economia capitalista”, e explica-a pelo desejo do homem de transmitir a própria substância aos filhos, o que levou a humanidade à família monogâmica. As explicações citadas são dois exemplos claros da importância que no raciocínio humano têm os “preconceitos”, ou seja, o hábito de explicar a vida, o homem, o universo, qualquer coisa, partindo de uma ideia e desenvolvendo de fio a pavio, aquilo a que na prática dos filósofos se chama “um sistema”.
Eu penso que descobriremos mais facilmente a razão da monogamia se tomarmos como exemplo o jovem clarinetista do Odeón de Atenas.
Toca-se melhor no mesmo clarinete, melhor do que em clarinetes diferentes. Para o êxito do acto sexual, a harmonia entre os dois instrumentistas tem uma importância crucial. A técnica do acto sexual tem, como qualquer técnica, alguns segredos próprios, a sua poesia, a sua profundidade, que não se podem atingir se não se ultrapassar os obstáculos da intimidade e do pudor. A lei biológica, segundo a qual a fecundidade não pode ocorrer senão em condições de escuridão absoluta, alarga o seu “sentido” a toda a operação amorosa, coloca o acto sexual numa condição de estúpida superficialidade. O pudor que rodeia e cobre completamente o acto amoroso tem por objectivo torná-lo mais solitário – mais profundo.
Só dois amantes que fazem amor sempre um com o outro, fiéis duetistas, e que se “intimizam” cada vez mais, podem chegar à profundidade “abissal” do acto sexual, essa variante humana da origem da Via Láctea.


in a Vida de Henrik Ibsen, Alberto Savinio

*o artigo foi encontrado na mesma pasta que continha o original da Vida de Henrik Ibsen


meus caros, aqui está o bólide.

quem quiser boleia vai ter que esperar mais uns dias pelo exame de condução

almoço com um cheirinho a tempo ...